“Chegámos à fase de amadurecimento pleno, quando o festival finalmente se apresenta com o ‘corpo inteiro’ que idealizámos”, declarou à Lusa o fundador e diretor do certame, Filipe Pereira.

Referindo-se aos quatro subfestivais que agora compõem esse certame do distrito de Aveiro, o mesmo responsável acrescentou: “Temos o festival dos filmes acabados, o festival da música de cinema, o da formação por profissionais do setor e o de ‘pitching’ para novos projetos, e tudo isso, em conjunto, garante ao participante uma experiência verdadeiramente única, em que à tarde fica a aprender em sala com um realizador de renome e à noite pode estar a beber um copo com ele num concerto”.

Decorrendo até 16 de junho em várias salas da cidade de Espinho, o FEST vai exibir 240 filmes de 58 nacionalidades e, desses, 183 estarão em competição. Aspetos que sobressaem dessa oferta são “a predominância de mulheres entre os realizadores e o relevo das questões sociais e de género entre os temas abordados”, antecipou Filipe Pereira.

Na categoria de longas-metragens estarão 10 filmes a concurso e, desses, o diretor de programação do FEST, Fernando Vasquez, destacou “War Pony”, que, realizado pelas norte-americanas Gina Gammell e Riley Keough, venceu o prémio de melhor primeira obra em Cannes, pela forma como “retrata a dura realidade das comunidades nativo-americanas na notória reserva de Pine Ridge”.

A competição de curtas-metragens, por sua vez, vai abranger 18 obras de ficção, 13 de documentário, 10 de animação, nove experimentais, 23 de produção portuguesa, 40 de realização académica e 60 concebidas por crianças e jovens.

Dessa lista, Fernando Vasquez realça, na categoria documental, “Man Caves”, em que a suíça Céline Pernet aborda “a temática da crise de masculinidade nos dias de hoje”, e o filme “And the king said...what a fantastic machine”, em que Axel Danielson e Maximilien Van Aertryck analisam “a obsessão pela imagem na sociedade contemporânea”, o que lhes valeu distinções nos festivais de Sundance e Berlim em 2022.

Já na competição portuguesa, o diretor de programação do FEST salientou o regresso dos realizadores Rúben Sevivas e Hugo de Sousa, e a apresentação de novos trabalhos de “autores promissores como Luís Campos e Joana Peralta”.

Quanto às sessões panorâmicas, uma das apostas de 2023 é a retrospetivo da cineasta peruana Claudia Llosa, “nome incontornável do cinema latino-americano, voz muito significativa no que toca a retrato de mulheres e indígenas, e vencedora do Urso de Ouro em Berlim com o filme ‘A Teta Assustada’”, que será exibido em Espinho.

A grande novidade da 19.ª edição do evento é, contudo, o subfestival “Music Walk With Me”, lançado em colaboração com o Auditório de Espinho para divulgar músicos que já conceberam bandas sonoras para cinema ou cuja sonoridade tem potencial para entrar no setor.

The Legendary Tigerman, Sensible Soccers, Castello Branco, Motsa e Yosune serão alguns dos nomes em palco, entre artistas de vários países.

A componente mais exigente do FEST é, ainda assim, o Training Ground, que motiva cerca de 800 inscrições nas diversas ‘masterclasses’ conduzidas por profissionais da indústria audiovisual.

Filipe Pereira salienta seis presenças a esse nível: o realizador mexicano Carlos Reygadas, a atriz sueca Noomi Rapace, a realizadora dinamarquesa Lone Scherfig, a realizadora de animação norte-americana Brenda Chapman, a sua conterrânea e diretora de ‘casting’ Nancy Bishop, e o editor e colorista francês Marc Boucrot.

Além de iniciativas especiais para a comunidade infantojuvenil e escolar, a 19.ª edição do festival de Espinho abrange ainda o FEST Pitching Forum, em que 24 candidatos previamente selecionados apresentarão seus projetos a agentes de decisão internacionais como produtores, investidores, gestores de fundos, distribuidores e programadores de festivais.

“O filme ‘Goodbye Julia’, do sudanês Mohamed Kordofani, por exemplo, foi um dos grandes sucessos do festival de Cannes de 2023 e esteve a ser desenvolvido aqui em Espinho”, recordou Filipe Pereira. “Começou só como uma ideia e foi o FEST que ajudou a desenvolver o projeto, fazendo-o chegar às pessoas certas”.

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