Nada menos que 172 filmes foram selecionados entre milhares de propostas nas várias secções que integram a componente competitiva da edição de 2011 do
Festival Internacional de Animação de Annecy, o maior e mais importante do planeta no que ao cinema animado diz respeito, e que decorre este ano de 6 a 11 de Junho. Cinco filmes portugueses conseguiram este ano entrar na seleção oficial, e mais dois fora de competição, um verdadeiro recorde para a animação nacional.

«É uma grande satisfação estarem tantos filmes selecionados, porque dá uma grande visibilidade» ao cinema de animação português, disse à agência Lusa o realizador e produtor
José Miguel Ribeiro, um dos fundadores da produtora
Sardinha em Lata, que tem quatro produções selecionadas.

Na competição oficial de curtas-metragens, o espaço nobre do certame, há nada menos que três representantes portugueses entre 42 filmes selecionados:
«Viagem a Cabo Verde», de
José Miguel Ribeiro, o célebre autor de
«A Suspeita», que tem aqui o seu filme mais elogiado desde essa época;
«O Sapateiro», uma animação de carvão sobre papel de
David Doutel e
Vasco Sá; e
«Conto do Vento», de
Cláudio Jordão Viegas, realizador do premiado «Esperânsia». Os dois primeiros filmes foram produzidos pela
Sardinha em Lata enquanto o terceiro resulta de uma co-produção entre a KotoStudios, o CineClube de Avanca e a Filmógrafo.

Também da Sardinha em Lata e também realizado por José Miguel Ribeiro é a série
«Dodu, o Rapaz de Cartão», que é uma das 37 que se encontra em competição na secção de Séries de Televisão. Mais hipóteses de vitória, por uma questão puramente numérica, terá
«Afonso Henriques, o Primeiro Rei», realizado por
Pedro Lino, que está na secção dedicada aos Filmes Educacionais, Científicos ou Industriais, que tem apenas quatro fitas selecionadas. A fita resultou de uma encomenda do Museu de Alberto Sampaio e da Câmara Municipal de Guimarães e foi desenvolvida no âmbito das Comemorações dos 900 Anos do Nascimento do primeiro monarca português.

Fora de competição, há ainda mais duas curtas-metragens portuguesas:
«A Única Vez», de
Nuno Amorim, produzida pelas Animais, e
«Os Olhos do Farol», de
Pedro Serrazina, co-produzida pela Sardinha em Lata, Filmógrafo (onde foi iniciado o projecto há mais de 10 anos) e ainda a Photon Films e a Unforgiven Films. Ambos integrarão o conjunto de 35 curtas projetadas fora de competição, ou seja, 35 curtas que, embora não tenham integrado as 42 principais, destacaram-se entre as centenas enviadas e mereceram mesmo assim ser projetados no certame.

A produtora
Sardinha em Lata terá ainda um espaço de divulgação do seu trabalho, em parceria com a
Agência da Curta-Metragem, no
MIFA, o mercado internacional de filmes de animação, que decorrerá em paralelo ao festival.

Mesmo que os filmes não conquistem qualquer prémio, José Miguel Ribeiro disse que a presença em Annecy é importante por causa da «visibilidade mundial». «As grandes compensações dos festivais são a visibilidade. Estão lá programadores, produtores que podem levar depois os filmes para os seus festivais», disse.

A presença de tantos filmes portugueses num festival como Annecy acontece poucos meses depois dos agentes do cinema de animação em Portugal terem elaborado uma carta estratégica para o setor para os próximos dez anos, reivindicando mais verbas.

Produtores, realizadores, argumentistas defendem a vitalidade de um setor que tem tido reconhecimento e prémios internacionais e que consideram ter «potencial para o país».

«Ao contrário de tudo o que tem acontecido de mau, vêm estas boas notícias de seleção para festivais como o de Annecy em que há pelo menos o reconhecimento internacional de que em Portugal há filmes de qualidade e que há pessoas a fazer cinema de animação», diz
José Miguel Ribeiro.

O
Festival International du Film d'Animation d'Annecy foi criado em 1960 e rapidamente se tornou o mais importante do planeta. Portugal esteve presente no certame de forma muito espaçada ao longo dos anos, mas conseguiu em 2006 conquistar o Grande Prémio do evento com o filme
«História Trágica com Final Feliz», realizado por
Regina Pessoa, uma co-produção portuguesa com a França e o Canadá. Este ano a realizadora integra o júri que atribui o prémio à melhor curta-metragem.

SAPO c/agência Lusa

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