«Obrigado por esta felicidade», declarou Maoz ao receber o prémio das mãos do presidente do júri, o realizador
Ang Lee. «Dedico este prémio às milhares de pessoas através do mundo que, como eu, sairam da guerra sãs e salvas, mas que, no fundo, tiveram que aprender a viver com essa dor», afirmou.

Baseado nas dolorosas memórias de realizador, nascido em Tel Aviv, o filme revive intensamente o início da primeira guerra do Líbano, em 1982, através do mortal avanço de um tanque israelita.

Tal como sucedeu com
«A Valsa com Bashir», filme de animação apresentado no Festival de Cannes 2008 por
Ari Folman, muitos críticos consideraram
«Lebanon» uma abordagem radicalmente inovadora da guerra.

Enfiados num tanque, quatro jovens soldados israelitas observam um Líbano vitimado pelos massacres que eles próprios cometem: pessoas aterrorizadas e tomadas pelo ódio, corpos carbonizados... O horror dessas cenas, somado ao confinamento e à crueldade das ordens absurdas que recebem, aumenta a tensão entre os homens. As imagens simulam as do visor do tanque.

«Sem qualquer heroísmo, a vida em combate é mostrada como nunca antes», comentou o jornal italiano «La Repubblica».

Na categoria interpretação, o britânico
Colin Firth conquistou o prémio de melhor actor pelo seu papel em
«A Single Man», o primeiro filme do estilista americano
Tom Ford.

«É a maior honra da minha vida», declarou o actor em italiano, ao receber o prémio das mãos da francesa
Sandrine Bonnaire.

Firth prestou sua homenagem a Ford: «És um dos melhores cineastas com quem já trabalhei. Um verdadeiro visionário».

Estilista influente e empresário de sucesso, o americano Tom Ford, ex-diretor artístico das marcas Gucci e Yves Saint Laurent, apostou numa adaptação de um romance do britânico Christopher Isherwood para se lançar na Sétima Arte. «A Single Man» traça o perfil de George Falconer, um professor de universidade de idade avançada (Colin Firth) cujo companheiro morre num acidente de carro. Oito meses mais tarde, George ainda sofre e perdeu o gosto de viver, apesar do reconforto de sua velha amiga Charley (
Julianne Moore), ela também uma solitária. É aí que, ao testemunhar esta tragédia, um belo aluno resolve aproximar-se do professor.

O filme passa-se em 1962 durante a crise dos mísseis em Cuba e evoca também a reprovação social ligada à homossexualidade invisível da época.

Já a russa
Kseniya Rappoport, de 35 anos, conquistou a Coppa Volpi de Melhor Actriz pela sua interpretação em
«La Doppia Ora», de
Giuseppe Capotondi, onde interpreta uma jovem imigrante.

«É como se eu fosse um pára-raios que recebeu um relâmpago», declarou a actriz, muito nervosa e a falar em italiano, que depois agradeceu a Giuseppe Capotondi: «Espero que leves o Leão de Prata pela realização de um dos teus filmes em que me reserves um pequeno papel».

Os principais prémios atraibuídos na 66ª edição do festival de Veneza foram:

- Leão de Ouro para Melhor Filme: «Lebanon», de Samuel Maoz (Israel, França, Alemanha)

- Leão de Prata para Melhor Realizador: Shirin Neshat pelo filme «Zanan Bedone Mardan» («Women Without Men») (Alemanha, Áustria, França)

- Prémio Especial do Júri: «Soul Kitchen», de
Fatih Akin (Alemanha)

Coppa Volpi para Melhor Actor:
Colin Firth por «A Single Man», de Tom Ford (EUA)

- Coppa Volpi para Melhor Actriz:
Kseniya Rappoport por «La Doppia Ora», de Giuseppe Capatondi (Itália)

- Prémio Marcello Mastroianni para Melhor Jovem Actor ou Actriz: Jasmine Trinca no filme «Il Grande Sogno», de
Michele Placido (Itália)

- Osella para Melhor Direcção Artística: Sylvie Olivé, por «Mr. Nobody», de Jaco Van Dormael (França)

- Osella para Melhor Argumento:
Todd Solondz pelo filme «Life during Wartime», de
Todd Solondz (EUA)

SAPO/AFP

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