O evento - que será dirigido e apresentado pelo ator Antonio Banderas e Maria Casado, presidente da Academia das Ciências e das Artes de Televisão - tinha sido anunciado anteriormente para 27 de fevereiro, mas a Academia do Cinema, responsável pela organização, não justificou os motivos do adiamento.

Banderas, vencedor do Prémio Goya de Honra em 2014, e o Goya de Melhor Ator em 2019, por "Dor e Glória", de Pedro Almodóvar, também criou, com Maria Casado, o guião da gala em conjunto com uma equipa de guionistas.

“Mosquito”, de João Nuno Pinto, foi anunciado no início de setembro como o candidato de Portugal à categoria de Melhor Filme Ibero-Americano nesta 35.ª edição dos Prémios Goya, os mais importantes galardões da indústria cinematográfica espanhola.

Trata-se de uma produção da Leopardo Filmes, em coprodução com a Alfama Films Production (França), APM Produções (Portugal), Delicatessen Films (Brasil) e Mapiko Filmes (Moçambique), que teve estreia mundial em janeiro, no Festival Internacional de Cinema de Roterdão, nos Países Baixos, e chegou às salas portuguesas no início de março, pouco antes do encerramento e da declaração do estado de emergência, por causa da covid-19.

A longa-metragem do realizador conta a história de Zacarias, “um jovem português sedento por viver aventuras heroicas durante a Primeira Guerra Mundial”, e conta com um elenco que inclui, entre outros, os atores João Nunes Monteiro, Miguel Moreira, João Lagarto e Filipe Duarte, além das participações especiais da atriz moçambicana Ana Magaia e do fadista Camané.

“Enviado para Moçambique, onde o conflito se desenrola longe dos olhares do mundo, o soldado [Zacarias] vê-se deixado para trás pelo seu pelotão e parte numa longa odisseia mato adentro, à procura da guerra e dos seus sonhos de glória”, resume a nota de imprensa divulgada na altura.

Segundo o presidente da Academia Portuguesa de Cinema, Paulo Trancoso, “Mosquito” é um exemplo de como “apesar do contexto de pandemia que estamos a viver desde o início do ano, e que tanto prejudicou o cinema português, em 2020 estrearam filmes de grande qualidade”.

Em entrevista à Lusa, no início do ano, a propósito da exibição do filme no Festival de Roterdão, o realizador João Nuno Pinto disse que “Mosquito” é inspirado na história da chegada do seu avô a África.

"No entanto, do que se passou durante a sua longa e solitária caminhada pouco se sabe. É aqui que entra a ficção, a efabulação e o sentido que pretendo dar à narrativa", explicou João Nuno Pinto.

Através da sua história, "somos confrontados com o horror da guerra e a subjugação dos povos africanos pelos europeus através do domínio colonial", explicou o realizador.

"Permite-nos conhecer um pouco melhor um pedaço esquecido da nossa história, a Primeira Grande Guerra em África, obrigando-nos a refletir sobre um período muito maior que foi o nosso direito em subjugar e 'civilizar' outros povos que, convenientemente, considerávamos inferiores", justificou.

A entrega dos Prémios Goya irá decorrer no Teatro del Soho CaixaBank de Málaga, cidade natal de Banderas, mas também terá conexões e intervenções a partir de outros cenários em Espanha, como o Palau de les Arts, de Valência, e o Teatro Bankia Príncipe Pío de Madrid.

De acordo com a Academia de Cinema espanhola, a gala será realizada "com todas as medidas de segurança, e será mais austera, completamente diferente do ano passado, mas deixará todos orgulhosos".

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