Hollywood está numa espera ansiosa esta terça-feira para saber se os atores aprovaram o duro acordo do seu sindicato com os estúdios, ou se uma indústria do entretenimento que ainda se recupera de greves com vários meses meses de duração poderá mergulhar novamente na turbulência.

Embora se espere que o acordo do Screen Actors Guild (SAG-AFTRA) seja aprovado, as críticas - principalmente sobre a aparente falta de proteção contra a Inteligência Artificial (IA) - cresceram de tom nas últimas semanas, aumentando o nervosismo sobre um potencial, embora improvável, retorno aos piquetes.

Os membros da SAG-AFTRA têm até às 17h00, hora de Los Angeles (uma da manhã de quarta-feira em Lisboa) para votar, sendo necessária uma maioria simples para finalmente selar o acordo.

Jonathan Handel, advogado e analista de entretenimento, disse que um número de aprovação entre 75% e 85% é “uma expectativa realista”.

Mas se a ratificação falhar, o SAG-AFTRA provavelmente terá de reabrir as conversações com os estúdios - que poderão eles próprios retirar os termos anteriormente oferecidos - e um regresso à ação na indústria poderá surgir.

“O contrato é uma m****”, disse o ator Michael Vaccaro, um entre dezenas de artistas que se manifestaram publicamente contra os termos.

"Votei não. E estou totalmente preparado para voltar à greve. Absolutamente a 100%", disse à Frace-Presse (AFP).

"Ao assinar isto, não ganhámos nada. Ao voltar à greve, há a possibilidade de ganhar bastante", salientou.

O acordo provisório entre o SAG-AFTRA e os estúdios de Hollywood para acabar com a greve de 118 dias dos atores foi acertado no mês passado.

Continha salários mais elevados, melhores bónus pela participação em séries ou filmes de sucesso e as primeiras proteções contra a utilização de IA para substituir atores humanos.

Foi ratificado pela liderança do sindicato dois dias depois, embora não por unanimidade.

Desde então, os líderes sindicais realizaram reuniões, enviaram e-mails e publicações nas redes sociais aos membros, instando-os fortemente a aprovar o acordo.

“É o contrato mais lucrativo, inovador e protetor da história dos sindicatos de entretenimento”, disse a presidente da SAG-AFTRA, Fran Drescher, numa partilha recente no Instagram.

Mas à medida que surgiram detalhes do acordo, começaram a circular avisos 'online' sobre as suas deficiências, especialmente sobre a questão da IA.

Os artistas temem que possam em breve ser substituídos por “atores” inteiramente sintéticos, gerados pela IA usando partes do corpo de muitos seres humanos diferentes, cujas imagens foram retiradas de arquivos de filmes.

O acordo não impede que os estúdios utilizem IA generativa, mas tem uma cláusula que exige que informem o sindicato cada vez que a tecnologia for utilizada.

A SAG-AFTRA teria então o direito de negociar compensações em nome dos atores envolvidos – embora os críticos digam que seria difícil identificar quem são.

Os atores também dizem que o enorme número de espectadores que um programa ou filme precisa atrair para gerar bónus para os seus artistas é elevado demais para todos, exceto para o escalão mais alto de programas de sucesso.

“Por causa da oposição, as pessoas naturalmente perguntam-se 'Vai passar?' e isso leva a algum nervosismo e preocupação", disse Handel à AFP.

"Mas acho que é altamente provável que isto passe. Seria muito surpreendente se isso não acontecesse", destacou.

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