Numa declaração publicada no site da CE, o presidente sublinha que o trabalho da atriz, hoje falecida, em Paris, onde residia, "refletiu os valores da União Europeia, como o amor pela liberdade".

"Como atriz, deu ao cinema francês e europeu um lugar único no mundo inteiro, e marcou gerações de cinéfilos, interpretando personagens inesquecíveis e intemporais, como Catherine, no filme ´Jules e Jim´, de François Truffaut", recorda o responsável.

Em Portugal, a Medeia Filmes irá prestar-lhe homenagem com a exibição de "um dos papéis mais icónicos da sua carreira", precisamente no filme "Jules e Jim" (1962), a 07 de agosto, às 22:00, no Cinema Medeia Monumental, em Lisboa.

O filme, baseado na obra de Henri-Pierre Roché, conta a história de uma relação triangular entre dois homens e uma mulher que caminha para a tragédia, e na época abordou a liberdade sexual, um dos temas caros ao novo cinema francês.

Nascida a 23 de janeiro de 1928, em Paris, filha do dono de uma cervejaria e de uma bailarina britânica, a atriz participou em mais de 130 filmes, entre eles “O Gebo e a Sombra”, de Manoel de Oliveira, "Jules e Jim", de François Truffaut, ou “Querelle”, de R. W. Fassbinder.

Num comunicado de condolências e de homenagem à atriz publicado no sítio ´online´ da Presidência da República Francesa, Jeanne Moreau é descrita como uma artista que encarnava por si só a arte do cinema.

"Com ela desaparece uma artista que encarnava o cinema na sua complexidade, memória e exigência. A lista de realizadores que a dirigiram conta a História do Cinema do século XX, desde Louis Malle, Roger Vadim, François Truffaut, Amos Gitai, Wim Wenders, Orson Welles, Joseph Losey, Michelangelo Antonioni, Jean-Luc Godard, e tantos outros", destaca o comunicado da presidência liderada por Emmanuel Macron.

O governo francês também sublinha a grande força de uma atriz que desde o início "escapou às categorias que lhe quiseram impor", como "mulher fatal" ou "sedutora fútil".

"Ela trabalhou tão bem com Philippe de Broca como Bertrand Blier, com Manoel de Oliveira ou Luc Besson. Tal era a sua liberdade, constantemente reivindicada, colocada ao serviço de causas em que acreditava, como mulher de esquerda, sempre rebelde, contra a ordem estabelecida, como a rotina", acrescenta a nota.

Também recorda o trabalho de Jeanne Moreau no teatro, em papéis de textos de grandes autores como Jean Cocteau, Tennessee Williams, Frank Wedekind, Heiner Müller, Fernando de Rojas, Jean Genet.

"Uma parte lendária do cinema desaparece com Jeanne Moreau", assinala a nota da Presidência da República Francesa.

A intérprete fascinou realizadores como Orson Welles ("História Imortal"), que a chegou a considerar a “melhor atriz do mundo”, Luis Buñuel ("Diário de uma criada de quarto"), Michelangelo Antonioni ("A Noite") e Joseph Losey ("Eva").

Moreau recebeu em 1992 um prémio César de melhor atriz pelo desempenho em "La vieille qui marchait dans la mer", de Laurent Heynemann.

Em 1960 foi galardoada no Festival de Cinema de Cannes pelo filme "Moderato Cantabile", de Peter Brooke, tendo sido a primeira mulher eleita para a Academia francesa das Belas Artes.

Presidiu duas vezes ao júri do Festival de Cannes, em 1975 e 1995.

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