O realizador Jorge Pelicano está a participar no Festival Internacional de Cinema de Buenos Aires, na Argentina, onde estreou o documentário "Até que o porno nos separe", uma história entre uma mãe e o filho, ator pornográfico.

A estreia mundial do filme decorreu no domingo, no Festival Internacional de Cinema de Buenos Aires (BAFICI), contando ainda com uma exibição no domingo, no mesmo evento, de acordo com a programação do BAFICI.

A participação no festival de Buenos Aires é a primeira de várias que o realizador pretende fazer por festivais internacionais, antes de estrear o filme em Portugal, algo que deverá acontecer ainda este ano, disse à agência Lusa Jorge Pelicano.

"Até que o porno nos separe" é "uma história de amor, entre uma mãe e um filho, com todos os ingredientes de uma história de amor: deceções, alegrias e tristezas", resumiu.

O documentário aborda a história de uma mãe, Eulália, que descobre em 2013, por intermédio de uma amiga, que o filho emigrado na Alemanha era um "reconhecido ator porno gay".

"No mesmo dia, descobre que o filho era gay e ator porno", sublinha Jorge Pelicano, referindo que esta é "uma mãe conservadora, com uma educação conservadora", em que a notícia acabou por ter "um enorme impacto na sua vida".

No entanto, "em nome desse amor pelo filho, acaba por iniciar uma longa viagem de transformação da própria pessoa para aceitar o seu filho", explica o realizador.

O filme, feito entre 2016 e 2017, retrata essa transformação e aproximação da mãe ao filho.

"Tendo como ponto de partida a pornografia, é uma história de amor entre uma mãe e um filho e a maneira como os pais lidam com as escolhas dos filhos", vincou.

Porém, "não é uma transformação pacífica", nota Pelicano, considerando que o documentário retrata os avanços e recuos que vão existindo, isto num ambiente que é construído numa primeira fase "entre paredes", na sala da casa da mãe, onde está o computador - o meio que Eulália usa para "se tentar aproximar do filho e aceitar o filho como ele é".

"É um filme muito mais cavernoso, muito mais de interior, que representa aquilo que a mãe teve que lutar e teve que passar. Foi uma luta muito solitária, em que o computador surge como elo de ligação entre os dois", explica.

Nesse sentido, o filme acaba por ter dois tempos narrativos. Um, entre 2013 e 2016, alicerçado nas conversas, fotografias e vídeos entre mãe e filho através das redes sociais, e outro que se passa no presente, em 2017.

"É através das mensagens de Facebook que se vê esse processo de transformação pessoal. São as trocas de correspondência modernas e são um elemento na narrativa deste filme", realça Jorge Pelicano.

"Até que o porno nos separe" é um filme produzido pela Até ao Fim do Mundo.

Jorge Pelicano, realizador e repórter de imagem em televisão, é autor dos documentários "Ainda há pastores?" (2006), "Pare, escute, olhe" (2009) e "Pára-me de repente o pensamento" (2014).

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