A estrear no Lisbon & Estoril Film Festival (LEFF) em simultâneo com seu lançamento mundial, “O Herói de Hacksaw Ridge” traz a história do soldado Desmond Doos (vivido pelo 'amazing spider man' Andrew Garfield) que, na Segunda Guerra Mundial, recusa pegar em armas devido à sua crença religiosa.

O teor pacifista do filme realizado por Mel Gibson num momento politicamente complexo agradou, para já, ao público do Festival de Veneza, que lhe rendeu longa ovação.

À sessão de abertura no Centro de Congressos do Estoril (há outra no Monumental, em Lisboa) antecede uma exposição do fotógrafo espanhol Chema Prado que, durante anos de convivência no meio cinematográfico, retratou os mais diversos artistas de forma muito original. A ideia era não usar produção de luzes, maquilhagem ou poses feitas, e entre os 'apanhados' pelas lentes estão atores como Robert de Niro, António Banderas e John Malkovich, entre muitos outros.

Poesias indies e candidatos a Óscares (ou não)

Quanto à programação cinematográfica torna-se difícil destacar nomes neste 'quem é quem' do cinema alternativo – com alguns olhares em direção ao 'mainstream' e supostos candidatos a algum prémio nos Óscares. O filme de encerramento é um deles: “Animais Noturnos” traz Jake Gyllenhaal a perseguir Amy Adams num muito aguardado trabalho de Tom Ford (de “Um Homem Singular”). No Festival de Veneza levou o Grande Prémio do Júri para Melhor Filme.

De cinema anglo-saxão há a estreia de Garth Davis, “Lion – A Longa Estrada para Casa”, que apresenta a história de um rapaz indiano (vivido na fase adulta pelo protagonista de “Quem Quer Ser Bilionário?” Dev Patel) adotado por um casal australiano; um conflito entre polícias e ladrões no Texas em “Hell or High Water” (de David MacKenzie, com Jeff Bridges, Chris Pine e Ben Forster); a incursão de Jim Jarmush no universo da poesia em “Patterson”; e Kelly Reichardt apresentando delicadas (ou nem por isso) mulheres vividas por Laura Dern, Michelle Williams e Kristen Stewart nos confins do Montana em “Certain Women”.

Pela competição surge o muito falado “Christine”, onde António Campos recria o trágico suicídio em direto da apresentadora de televisão Christine Chubbuck, nos anos 70, “American Honey”, da inglesa Andrea Arnold, que gerou um dos maiores burburinhos do último Festival de Cannes, e “Homenzinhos” – o último projeto de Ira Sachs.

Nova e velha Europa

De velhos e novos mestres europeus há Paul Verhoeven a voltar a dar nas vistas com “Elle”, Wim Wenders e o seu “Os Belos Dias de Aranjuez 3D”, enquanto Bertrand Bonello e Chrstian Mungiu surgem com filmes poderosos – “Nocturama” e “O Exame”, respetivamente.

Por seu lado Alain Guiraudie, depois de “O Desconhecido do Lago”, aparece com “Staying Vertical”, os irmãos Dardenne com “Unknown Girl”, o homenageado Emir Kusturica com “On the Milky Road”, Benoit Jacquot com “Até Nunca” e o ator Ewan McGregor, fazendo sua estreia na realização, traz “Uma História Americana”.

Já Fanny Ardant estará presente numa sessão com Gerárd Depardieu para apresentar “Le Divan de Stalin”, enquanto o austero Bruno Dumont, depois de descobrir a comédia com “O Pequeno Quinquin”, contribui com um uma segunda sessão de encerramento do festival com “The Slack Bay”.

A destacar ainda a forte presença asiática com Lav Dias (“The Woman Who Left”) e Asghar Fahradi (“O Cliente”) e a conexão rock-música em “One More Time in Feeling 3D” (Nick Cave), “Gimmie Danger” (The Stooges) e “London Town - The Clash".

Quem tem medo de Jean-Luc Godard

Para quem se quiser aventurar por um dos períodos mais revolucionários, ousados e experimentais da história do cinema a dica é a vasta retrospetiva dedicado a Jean-Luc Godard.

Se os Cahièrs du Cinéma e a fértil década de 50 trouxeram o “pensar o cinema” para patamares até então inéditos, a subsequente 'Nouvelle Vague' e a sua vasta influência global tiveram em Godard um dos seus poentes mais radicais - politizando-se no final dos 60, mudando de tom ao longo dos 80 e, hoje com 85 anos, ainda desenvolvendo projetos que desafiam as normas estabelecidas.

A mostra abrange desde as suas curtas-metragens dos anos 50 até os seus últimos trabalhos – entre os quais “Adeus à Linguagem”. E a programação paralela inclui o simpósio “Godard Vu Par…”

Restantes retrospetivas e eventos

O passado ressurge no LEFF através de várias retrospetivas e sessões especiais – entre as quais a de “Malena” (Giuseppe Tornatore), filme da carreira de Monica Bellucci que ela escolheu para relembrar, três filmes de Roberto Benigni cujas sessões contarão com a presença da sua musa, Nicoletta Braschi e “Veludo Azul” – uma das obras mais marcantes de David Lynch que completa 30 anos.

Já Teresa Villaverde, Emir Kusturica, Pascal Bonitzer e Jerzy Skolimovski, entre outros, terão mostras completas das suas obras.

Para além dos convidados citados, diversos cineastas e artistas de áreas como teatro, música e literatura marcam presença na cidade para uma ampla gama de atividades que incluem debates, simpósios e masterclasses.

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