A 7.ª Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista (MICAR) começa hoje (2) no teatro Rivoli, no Porto, prolongando-se até 4 de outubro, com uma programação mais curta que o habitual, devido à pandemia de COVID-19.

Organizada anualmente pelo SOS Racismo, desde 2014, esta mostra leva ao grande ecrã filmes com temáticas essenciais e traz à plateia três dias recheados de oportunidades para pensar e discutir o racismo e a discriminação e o seu combate.

Segundo a organização, este ano haverá quatro sessões entre a noite de sexta-feira e a tarde de domingo, cada uma com uma 'curta' e uma longa-metragem, num total de oito filmes, vários dos quais serão estreias em Portugal.

A abertura, no dia 2, pelas 21:30, conta com a curta-metragem “Eu não sou Pilatus”, do ator e realizador luso-guineense Welket Bungué, que estará presente na sessão para apresentar o seu filme.

Welket Bungué, que em abril esteve nomeado para o prémio de melhor ator da Academia Alemã de Cinema, como protagonista do filme “Berlin Alexanderplatz”, de Burhan Qurbani, venceu em agosto o festival internacional de videoarte Fuso, com "Metalheart", que o júri destacou pela sua "qualidade poética marcadamente crua".

Bungué tem também em estreia, no Teatro do Bairro Alto, em Lisboa, o projeto "Mudança", desenvolvido com a socióloga e deputada Joacine Katar Moreira, sobre questões de preservação da democracia, da integridade da saúde pública e de individualidade, impostas pela pandemia, numa abordagem em que conta com a imagem do artista Nú Barreto, a música de Mû Mbana e referências ao povo do arquipélago Bijagó, na Guiné-Bissau.

Ainda na primeira noite da mostra será exibido o filme “What You Gonna Do When the World's On Fire?”, de Roberto Minervini, premiado no Festival de Veneza em 2018, e que tem aqui a sua estreia em Portugal.

Os bilhetes para as sessões podem ser levantados gratuitamente nas bilheteiras do Rivoli.

Apesar das limitações criadas pela pandemia de covid-19, a organização considera importante manter a MICAR, e a reflexão que este evento traz, num ano “tão marcado por episódios de grande violência contra pessoas racializadas e em que a necessidade da luta anti-racista esteve tão presente no espaço público”.

“Trazemos um leque alargado de filmes de proveniências e temáticas diversas, sobretudo focados nas dimensões estruturais do racismo e da discriminação que continuam a marcar quotidianamente a vida de muitas pessoas negras, ciganas, imigrantes ou refugiadas em Portugal, na Europa e no mundo”, refere a organização.

A programação reúne filmes sobre as questões das fronteiras e do Mediterrâneo (“Ceuta, prisão pelo mar”, de Loïc Hecht e Jonathan Millet), sobre as questões da violência policial (“Show me democracy”, de Dan Parris), ou sobre a discriminação e exclusão vivida por pessoas de minorias étnicas em contextos educativos (“Our School”, de Mona Nicoara e Miruna Coca-Cozma), entre outros temas.

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