O primeiro filme italiano na disputa pelo Leão de Ouro recebeu vaias e aplausos na sua exibição para a imprensa, com polémicas e elogios às atuações das suas estrelas: Dakota Johnson e Tilda Swinton, uma no papel de bailarina e a outra como a coreógrafa de uma misteriosa e prestigiosa companhia de dança contemporânea.

"Era fundamental que a dança não fosse um engano, como diria a senhora Blanc, mas que também fosse um personagem, com a sua linguagem, uma linguagem que é transcendental e mágica", explicou Guadagnino, realizador de "Chama-me pelo teu nome", vencedor do Óscar de Melhor Argumento Adaptado na última cerimónia dos Óscares.

Com alguns minutos intensos de dança contemporânea, nos quais os corpos das bailarinas interpretam a guerra interna que vivem, o filme mistura muitas histórias num ambiente sombrio dos anos 1970 da Alemanha, com uma bela direção de arte.

A dança, as mulheres vistas como bruxas modernas e o sangue que jorra de tripas abertas integram a iconografia da nova versão do filme. O original, de 1977, foi dirigido pelo mestre do terror Dario Argento.

"Vi o filme de Argento quando tinha 14 anos e marcou-me profundamente", admitiu Guadagnino.

As cenas de ossos partidos e muito sangue também marcaram a protagonista Dakota Johnson."Eu sou uma pessoa que absorve os sentimentos dos que estão à minha volta e quando trabalho em questões sombrias, eu coloco tudo isso na pele", disse.

O filme passa-se numa fria e triste Berlim no final de 1977, entre atentados do grupo RAF, as obscuras recordações do nazismo, o auge da psicanálise e as lutas de poder dentro da companhia de dança feminina.

Considerado um exercício de cinema pelas cenas sádicas, em alguns momentos de modo gratuito, não é possível descartar que a fábula com cenas desagradáveis possa convencer o presidente do júri, o mexicano Guillermo del Toro, que venceu o Leão de Ouro e o Óscar com "A Forma da Água", outra fábula repleta de símbolos.

"É um filme corajoso e isso é importante", afirmou Tilda Swinton, perfeita no seu papel, uma espécie de homenagem a grandes coreógrafas como Pina Bausch e Marta Graham.

Guadagnino, que estabelece um paralelo no filme entre a companhia de dança e a libertação das mulheres, reconheceu que com o movimento #MeToo as mulheres superaram uma barreira que não vai voltar a existir.

"Suspiria foi rodado antes dos protestos, mas gostaria de acreditar que, no meu trabalho, tanto agora como no futuro, não domino o desejo de abusar do outro com o próprio poder", disse.

Veja o trailer do filme:

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