O Festival Sundance de Cinema terá no próximo mês sessões presenciais e virtuais pela primeira vez na sua história, num momento em que os seus organizadores abraçam "um ano experimental" para a indústria de produções "indie".

Cofundado pelo ator Robert Redford e baseado no estado do Utah, no montanhoso oeste dos Estados Unidos, Sundance apresenta o melhor do cinema independente, documentários e produções artísticas, mas devido à pandemia, a sua última edição em janeiro deste ano decorreu online.

Com o avanço da variante Ómicron, a diretora Tabitha Jackson disse à France-Presse que a próxima edição trabalhará com uma abordagem híbrida, contemplando exibições presenciais e virtuais, com debates para cada filme, o que deve "maximizar a flexibilidade", ao mesmo tempo que oferece "o melhor de dois mundos".

Entre os filmes selecionados está "Jeen-yuhs: A Kanye Trilogy", um documentário com mais de duas décadas de filmagens feitas por Clarence "Coodie" Simmons, amigo de longa data do músico Kanye West.

"Ele teve a visão de entender no que Kanye se tornaria e começou a gravar este filme desde o início", disse Kim Yutani, diretor da programação. "Esse é um dos prazeres desta produção, ver Kanye tornar-se Kanye."

Entre os documentários, estão também as estreias mundiais de "We Need to Talk About Cosby", que aborda a queda em desgraça de Bill Cosby, e "The Princess", sobre a vida e a morte da princesa Diana.

Dirigido por Amy Poehler, o perfil da estrela de "I Love Lucy", Lucille Ball, e o seu marido, intitulado "Lucy and Desi", também será lançado em Salt Lake City.

Rory Kennedy, realizadora nomeada para os Óscares pelo documentário "Last Days in Vietnam" (2014) e filha de Robert F. Kennedy, aborda os erros que levaram aos acidentes do 737 Max que mataram 346 pessoas em "Downfall: The Case Against Boeing".

Devido às preocupações com o coronavírus, muitos realizadores este ano usaram "imagens de arquivo como base para a sua produção criativa", e a pandemia "convidou as pessoas a olharem perto de casa", salientou Tabitha Jackson.

Good Luck to You, Big Leo

No lado narrativo, Kazuo Ishiguro, ganhador do Nobel de Literatura, escreveu o argumento de "Living", uma nova versão de "Ikiru", do mestre japonês Akira Kurosawa, transplantado para a Londres dos anos 1950 e protagonizado por Bill Nighy.

O falecido Michael K. Williams aparece ao lado de John Boyega em "892", que conta a história de um veterano de guerra americano que é levado a tomar medidas extremas e violentas quando se vê falido e prestes a ter que morar na rua.

Uma Emma Thompson "como nunca foi vista antes" protagoniza "Good Luck to You, Big Leo" como "uma mulher de certa idade que contrata um profissional do sexo", indicou Yutani.

E Lena Dunham, criadora de "Girls", regressa à realização com "Sharp Stick", um filme provocador que se passa em Hollywood e aborda o romance de uma jovem de 26 anos com o seu patrão mais velho.

A edição de 2022 do Festival de Cinema de Sundance decorrerá entre 20 e 30 de janeiro.

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