A caminho dos
Óscares 2025
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De Catherine Deneuve, presidente da cerimónia, a Pierre Niney e François Civil, que concorrem ao troféu de Melhor Ator, o cinema francês reunir-se-á na sexta-feira à noite no Olympia, em Paris, para a cerimónia dos 50.º César.
Um grande sucesso popular, "O Conde de Monte Cristo" concorre, juntamente com o musical "Emília Pérez" de Jacques Audiard, para suceder a "Anatomia de uma Queda", o grande vencedor do ano passado.
Outro grande sucesso, "Corações Partidos", recebeu 13 nomeações, mas com escândalo: uma Academia cujas escolhas, por vezes, parecem estar desligadas do público, deixou-o de fora na corrida para Melhor Filme.
A Academia fez todos os esforços para esta 50.ª grande reunião da Sétima Arte, confiando a presidência à rainha das atrizes francesas, Catherine Deneuve, que tem evitado a cerimónia nos últimos anos, mas concordou em participar neste aniversário.
A tarefa de animar a noite, transmitida ao vivo a partir das 20h45 em sinal aberto no Canal+ (19h45 em Lisboa) foi confiada a uma das novas apostas seguras do humor no ecrã, Jean-Pascal Zadi (do filme "Simplesmente Negro"). Tem a missão de manter as audiências que começaram a recuperar no ano passado.
Para apoiá-lo, diversas personalidades, incluindo os atores Emmanuelle Béart, Cécile de France, Pio Marmaï e a realizadora Justine Triet. Dois grandes nomes do cinema também serão homenageados: Julia Roberts e Costa-Gavras receberão um César honorário.
"Emília Pérez" a viver numa encruzilhada
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Quanto aos vencedores, o suspense permanece. Mas os Césares têm algo para se ligarem com o público em geral e com filmes mais populares. Mesmo que o maior sucesso do ano, "Un p'tit truc en plus", de Artus (10,8 milhões de bilhetes vendidos na França), se tenha de contentar com um prémio no máximo, o de Melhor Primeiro Filme. Em digressão com o seu espetáculo, o humorista não se deslocará até o Olympia.
Entre eles, "O Conde de Monte Cristo" e "Corações Partidos" acumularam mais de 14 milhões de espectdores em França e simbolizam este ambicioso cinema francês que conseguiu atrair mais uma vez jovens e espectadores ocasionais. Também poderá ser distinguida a comédia social “"Siga a Banda!", com Benjamin Lavernhe e Pierre Lottin.
Qual o destino da outra longa-metragem favorita até às últimas semanas, “Emília Pérez”, de Jacques Audiard? Este musical em castelhano sobre a transição de género de um traficante de drogas mexicano, que fez sucesso desde a sua apresentação em Cannes, vive agora uma encruzilhada.
A polémica no México sobre a forma como o filme representa a violência ligada ao tráfico de drogas foi agravada por mensagens antigas da atriz principal, Karla Sofía Gascón, nas redes sociais. Ela chamou ao Islão de “foco de infeção para a humanidade” e gozou com diversidade na indústria do entretenimento ou do movimento antirracista após a morte de George Floyd, um negro americano morto pela polícia em 2020.
Desde então, a campanha de “Emília Pérez” aos Óscares nos Estados Unidos está selada. E qual será o impacto sobre os 4.951 eleitores dos César, que se exprimem por voto secreto? Se Karla Sofía Gascón parece fora de cogitação, a sua colega de Hollywood Zoe Saldaña ainda pode arrebatar o prémio de Melhor Atriz.
Temas políticos
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A composição da Academia dos César foi, além disso, profundamente renovada depois de anos em que foi acusada de ser introspetiva e de fechar os olhos à violência sexista e sexual.
A Academia anunciou que iria reforçar ainda mais as suas regras nesta área, explicando que qualquer membro implicado pelos tribunais num assunto deste tipo seria agora suspenso.
Como todos os anos, os temas políticos do momento também pairarão sobre a cerimónia, que contará com a presença de Rachida Dati, Ministra da Cultura.
O grupo Canal+, o canal da cerimónia e principal financiador do cinema francês, está envolvido num impasse para manter os seus privilégios contra as plataformas de streaming em termos do calendário de exibição de filmes ou reduzir a sua fatura. A influência e as ambições políticas do seu proprietário, o multimilionário conservador Vincent Bolloré, também são denunciadas por parte da comunidade artística.
Os artistas também poderão aproveitar a visibilidade para expressar as suas preocupações sobre os cortes orçamentais infligidos à cultura ou as ameaças que a Inteligência Artificial representa para a criação.
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