«Amigos Improváveis», «O Artista» e «A Vida de Adèle: Capítulos 1 e 2» são exemplos de filmes franceses que atravessaram fronteiras de forma fulgurante, tornando-se grandes sucessos de bilheteira um pouco por todo o mundo. Parte do mérito desse percurso vai para o empurrão inicial dado pela Unifrance, um organismo cujo objetivo é promover o cinema do hexágono fora do país, acompanhando os filmes nos mercados internacionais, tanto em festivais como em estreias comerciais.

Isabelle Giordano, ex-jornalista e rosto conhecido dos franceses como autora e apresentadora de programas culturais, é hoje em dia diretora-geral da Unifrance, e explicou ao SAPO Cinema a importância do organismo: «A Unifrance existe para impulsionar a presença dos filmes franceses no estrangeiro. Temos a sorte de ter um cinema que se porta muito bem nos mercados internacionais, porque temos bons filmes e muitos realizadores, a fazer todo o tipo de cinema, desde fitas populares a cinema de autor, passando pelo desenho animado. Não somos nós que fazemos o filme, não somos os realizadores ou os produtores, mas temos o papel de ajudar o cinema francês em todo o mundo».

Como fazê-lo? «Há muitas maneiras. Por um lado, organizamos festivais e eventos em todo o mundo ligados ao cinema francês e apoiamos outros que já existem. Em Portugal, damos apoio à Festa do Cinema Francês, ajudando, por exemplo, a financiar a ida de realizadores a atores a Portugal durante esse período». Por outro, a Unifrance está presente em todas as fases da vida de um filme no estrangeiro, «desde a seleção num festival importante até à projeção nos mercados internacionais que culmina com a estreia comercial nos diversos territórios. Tudo com o objetivo de dar mais visibilidade ao cinema francês no mundo».

A Unifrance foi criada em 1949 e integra hoje em dia cerca de 800 membros, que vão de produtores e agentes, a realizadores e atores.


«Desde a Catherine Deneuve até um realizador que acaba de fazer o seu primeiro filme, a Unifrance é composta por uma grande variedade de agentes do cinema, para ajudar todo o tipo de filmes a vingar além-fronteiras».


Um dos momentos mais significativos da atividade da Unifrance ao longo do ano é o chamado Rendez-Vous du Cinema Français, organizado em Paris no início de cada ano. «Recebemos anualmente cerca de 400 compradores do mundo inteiro, do Canadá à China passando por toda a América Latina, e ainda 150 jornalistas. Ao todo, este ano, vamos mostrar 110 filmes, dos quais 50 são estreias mundiais», sublinha Giordano. Os compradores podem aí visionar e comprar os filmes que distribuirão depois nos respetivos territórios e os jornalistas entrevistam em quatro dias os realizadores e atores das dezenas de filmes que estrearão no seu país ao longo do respetivo ano.

Outra iniciativa da Unifrance, mais recente, é o MyFrenchFilmFestival, um festival de cinema na internet, que este ano decorre entre 17 de janeiro e 17 de fevereiro. «É muito importante, é o quarto ano, a quarta edição, e para mim é mesmo o símbolo do futuro. Acho que é muito importante o facto de ser possível difundir filmes na internet. Isso não quer dizer que esqueçamos a sala de cinema, nada disso. Felizmente, elas renovaram-se, há novas experiências, com salas modernas. Acho que as pessoas irão sempre às salas Mas, por outro lado, ver os filmes na internet facilita o acesso à cultura e permite-nos difundi-los em países onde há poucos espaços que exibam filmes franceses, dando a mais pessoas a possibilidade de usufruir do nosso cinema. O ano passado, houve no total cerca de 800 mil visionamentos de filmes, este ano temos parcerias com uma centena de países. E o arranque vai ser de luxo: a 17 de janeiro teremos a exibição totalmente gratuita, durante 24 horas, do clássico «Os Chapéus de Chuva de Cherburgo», do Jacques Demy».

O sucesso do cinema francês tem sido evidente nos últimos anos, segundo Isabelle Giordano. «É verdade que o ano 2012 foi um pouco excepcional, com o «Amigos Improváveis», «O Artista» e o «Taken 2» a terem sucessos inacreditáveis em todo o lado. Em 2013, não houve filmes com tanto sucesso, mas há muitos prémios, como a Palma de Ouro do «A Vida de Adèle» e todos os prémios internacionais, até nos EUA. E, claro, «A Gaiola Dourada», que teve um sucesso enorme, não só em França e Portugal como também noutros países, como a Alemanha», concluiu.