O filme "Vitalina Varela", do realizador português Pedro Costa, conquistou hoje o Leopardo de Ouro, prémio máximo do Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça, anunciou a organização.

A atriz Vitalina Varela, protagonista do filme com o mesmo nome do realizador português Pedro Costa, foi também distinguida na Suíça com o Prémio Boccalino d'Oro para melhor atriz, revelou hoje à agência Lusa a produtora Optec Filmes.

O Boccalino d'Oro é um prémio paralelo ao Festival Internacional de Cinema de Locarno, entregue por um júri independente, tendo sido criado por um grupo de programadores e cineastas no ano 2000.

Depois de ter sido distinguido em Locarno, em 2014, com o prémio de melhor realização por "Cavalo Dinheiro", Pedro Costa regressou este ano ao festival estreando o filme sobre uma mulher cabo-verdiana que chega a Portugal três dias após a morte do marido, depois de ter estado 25 anos à espera de um bilhete de avião.

A Academia Portuguesa de Cinema já deu os parabéns ao realizador e à atriz na sua página oficial de Facebook.

Só um realizador português conquistou antes o Leopardo de Ouro do Festival de Locarno: José Álvaro Morais, em 1987, pelo filme "O Bobo".

O Festival Internacional de Cinema de Locarno 2019 termina hoje, com a entrega dos prémios a partir das 21:00 (20:00 em Lisboa).

Elogios da crítica

O filme "Vitalina Varela", de Pedro Costa - que fez a estreia mundial no festival de Locarno, na quarta-feira - tem recebido vários elogios da crítica de cinema a nível mundial.

Num vídeo divulgado pela Optec Filmes sobre a entrega do Prémio Boccalino d'Oro para Melhor Atriz a Vitalina Varela, na sexta-feira, o porta-voz do júri descreve-a como "uma grande atriz, que não se esquece que é mulher".

"Sofia Loren, Marlene Dietrich eram atrizes e divas. Vitalina Varela é atriz e mulher", disse, na entrega da distinção à protagonista, perante uma audiência onde se encontrava também Pedro Costa.

Pedro Costa conheceu Vitalina Varela quando rodava "Cavalo Dinheiro", acabando por incluir parte da história dela na narrativa, mas o novo filme é totalmente dedicado a esta cabo-verdiana de 55 anos.

"Vitalina Varela" é a história de uma mulher que viveu grande parte da vida à espera de ir ter com o marido, Joaquim, emigrado em Portugal. Sabendo que ele morreu, Vitalina Varela chegou a Portugal três dias depois do funeral dele, segundo uma sinopse da produtora Optec Filmes.

Desde a estreia, o filme já recebeu vários elogios da crítica a nível mundial, nomeadamente do Hollywood Reporter, que o descreve como “um épico intimista” e “trágico”, considerando que esta nova longa-metragem irá colocar Pedro Costa “num novo patamar de ambiente, forma e narrativa” cinematográfica.

O portal IndieWire, por seu lado, definiu "Vitalina Varela" como mais uma "visão arrebatadora e magistral de Pedro Costa", sublinhando que, desde que Bela Tarr se retirou da filmagem de novas obras, o realizador português tem sido o “porta-estandarte de um certo tipo de cinematografia severa, lírica, ancorada em ambiguidade e rica de implicações”

Por seu turno, o site da revista francesa Les Inrockuptibles descreve a obra do realizador português como um projeto “entre o documentário e o retrato íntimo”, num ambiente que "intriga pela aridez e beleza plástica".

Este filme de Pedro Costa estará ainda em competição, em setembro, no Festival de Cinema de Toronto, no Canadá, e será apresentado no 57.º Festival de Cinema de Nova Iorque, nos Estados Unidos.

Nascido em Lisboa, em 1959, Pedro Costa é um cineasta independente, herdeiro das experiências feitas em 16mm no documentário pelos seus pares do chamado Novo Cinema, tendo-se formado na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa.

Iniciou a atividade nos anos 1990, tendo sido assistente de realização de Jorge Silva Melo e de João Botelho, criando, até hoje, 15 longas e curtas-metragens como "Ne Change Rien" (2009), "Juventude em Marcha" (2006), "Ossos" (1997), "Casa de Lava" (1994) e "O Sangue" (1989).

O filme "No Quarto da Vanda" deu-lhe o Prémio France Culture para o Cineasta Estrangeiro do Ano, no Festival de Cannes de 2002.

No Festival de Cinema de Locarno foram também exibidos filmes dos realizadores portugueses Basil da Cunha e João Nicolau, na competição internacional.

Na competição do festival suíço estreou-se "Technoboss", de João Nicolau, protagonizado pelo ex-programador cultural Miguel Lobo Antunes, no papel de um sexagenário divorciado, e pela atriz Luísa Cruz.

A ele juntou-se, "O fim do mundo", segunda longa-metragem de ficção do luso-suíço Basil da Cunha, sobre Spirra, "um jovem que acaba de sair de um colégio interno e se encontra de novo com os amigos na Reboleira".

Fora de competição, Locarno exibiu também "Prazer, Camaradas!", de José Filipe Costa, a partir de histórias de portugueses e estrangeiros vividas em cooperativas e aldeias portuguesas, no pós-25 de Abril de 1974.

Na secção 'Pardi di Domani' encontrava-se a coprodução portuguesa “Vulcão: O que sonha um lago?”, da romena Diana Vidrascu, desenvolvida numa residência artística nos Açores, enquanto Maya Kosa e Sérgio da Costa mostram "L'île aux oiseaux", a concurso na secção Cineastas do Presente.

O Festival Internacional de Cinema de Locarno 2019 termina hoje - após a exibição de 80 filmes durante dez dias - com a entrega dos prémios a partir das 21:00 (20:00 em Lisboa).

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