Jared Leto. Eis a razão maior dos 30 Seconds to Mars. Vocalista, mentor, ator, mestre de cerimónias, Leto é uma das maiores estrelas rock do momento e demonstrou isso mesmo perante os milhares que se deslocaram à Meo Arena, ontem à noite. O concerto foi bastante competente, a histeria foi a esperada e as muitas surpresas que iam acontecendo em palco transformaram o primeiro espetáculo da digressão europeia da banda natural da Califórnia numa verdadeira celebração. O único senão foi mesmo a voz de um engripado Leto que deixou, compreensivelmente, algo a desejar em alguns momentos da atuação. Mas vamos lá à festa…

Depois da atuação dos You Me At Six, a expectativa em relação à aparição dos 30 Seconds to Mars (30 STM) crescia sobremaneira. Já não bastava o muito emotivo showcase que a banda deu, na segunda-feira, numa conhecida rádio nacional, Leto ainda resolveu, nessa mesma tarde, aparecer nas ruas da baixa lisboeta para libertar um pouco da sua música - o que aguçou ainda mais o apetite dos fãs do trio.

Com as luzes acesas e a Meo Arena ainda a receber muita gente, do palco coberto com uma gigantesca tela negra e enfeitado com o icónico triângulo da banda norte-americana surgiam algumas surpresas. Dois “homens de negro”, de máscaras colocadas, animavam a plateia com focos de lanterna. O público respondia, o ambiente aquecia e a festa que se sentia levava os presentes a ensaiarem a conhecida “onda”, tão famosa nos estádios de futebol. Rapidamente todos entraram na celebração e os aplausos refletiam satisfação total. Gritava-se por Portugal. Apenas faltava a música.

Até que a tela caiu. A multidão gritava. Jared Leto, encapuzado, numa plataforma superior, cantava as primeiras linhas de “Birth”. Num patamar inferior, uma tela branca revelava as sombras de Tomo Miličević, à esquerda, e de Shannon Leto, no extremo oposto. Entre guitarrista e baterista, um punhado de percusionistas tornavam ainda mais épico e marcial o ambiente. A descida à terra de Leto fez-se quando já ecoavam os primeiros acordes de “Night of the Hunter”, a primeira incursão a “This is War”. A histeria quase que abafa a voz de Jared, que aproveita a ocasião para empunhar a microfone para a plateia. À segunda música, Leto tem o público na mão.

“Search and Destroy”, com novos e potentes arranjos, e o hino “This is War” continuam a celebração, com Leto a pedir palmas, muitas palmas, entre saltos e gritos de guerra que desfazem corações mais sensíveis em milhões de pequenos pedaços doces. O coro extravasou, por certo, as paredes da Meo Arena e, contente, o vocalista agradece com um “obrigado” muito saudado. Sem grandes pausas, a banda ataca “Conquistador”, um dos temas mais apreciados de “Love, Lust, Faith and Dreams”, o mais recente trabalho da banda, e no final da canção são disparados do palco milhares de papelinhos coloridos.

Bastante comunicativo, Jared Leto faz uma pausa no que toca à música e chama a palco alguns fãs. Um rapaz e uma rapariga. Ele, repleto de tatuagens da banda; ela, emocionada, enverga uma bandeira de Portugal. Eis o momento que antecede “Do or Die” e que leva Leto a cantar com uma bandeira de Portugal em riste. A loucura adensa-se. A massa presente canta. Intenso. A banda aproveita e sai de palco, e é momentaneamente “substituída” por um número circense, centrado num acrobata e um arco. No ar soam acordes, tímidos, de “Depuis le Début”.

O regresso do trio dá-se numa toada mais calma e as doces pitadas de piano de “End of All Days” enchem a alma de todos. Leto apela à fé e a devoção é garantida. Depois, “City of Angels”, tema que versa sobre o estrelado de Hollywood, é dedicada a todos os sonhadores presentes, num dia muito especial, segundo o vocalista, pois marca a estreia mundial do vídeo que ilustra a referida faixa. O escuro da Meo Arena é quebrado pelas luzes dos telemóveis e quejandos, enquanto Leto segura a voz debilitada, não forçando a garganta.

Segue-se nova pausa e em palco surgem mais dois malabaristas que ensaiam saltos mortais ao som arabesco de “Pyres of Varanasi”, outro tema saído do mais recente álbum do grupo.
No regresso ao palco, Leto vem só e carrega uma guitarra acústica, que serve de mote para alguns dos momentos mais bonitos da noite. À cappella, ou com singelos acordes, Leto oferece “Hurricane”, “Was it a Dream”, “From Yesterday” e “Alibi”. A ocasião foi de grande cumplicidade entre vocalista e público, com Jared a perguntar se alguém tem pedidos a fazer. Desconstruídas, nuas, as referidas músicas ganham outra alma e colam-se ainda mais aos ouvidos.

Já em formato trio, os 30 STM surpreendem a assistência com uma cover de “Stay” - um original de Rihanna –, que resulta muito bem. Com nova presença da assistência em palco, Leto cede o microfone ao inesperado convidado e dá-lhe a tarefa de apresentar, na língua de Camões, uma canção nunca antes tocada ao vivo. Falamos de “The Race”, momento que valeu uma posse da plateia para o Instagram da banda. Logo a seguir, outro dos pontos mais altos da noite. Leto pede braços no ar e todos, literalmente, obedecem, e ao som de “Closer to the Edge” voam balões coloridos e libertam-se mais papelinhos coloridos. Toda a gente vibra. O circo está bem montado.

A celebração, o culto - o que quiserem - terminou com mais momentos de grande intensidade. “Kings and Queens” e “Up in the Air” incendiaram a Meo Arena. Na derradeira atuação, Leto puxa dezenas de fãs para o palco e grava na memória de todos minutos de grande excitação. O sentimento é de puro devaneio, assente num sentido competente de entretenimento. E no fundo é isso que são os 30 STM: um circo repleto de emoção que tem na figura do seu vocalista o âmago da celebração.

Texto: Carlos Eugénio Augusto

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