
“A escolha de Itália para país-tema da programação de 2013”, recordou o diretor artístico António Jorge Pacheco à Lusa, “resultou de uma sucessão de circunstâncias como, por exemplo, a coincidência com os 200 anos do nascimento de Verdi e os 10 anos da morte de Luciano Berio”. Coincidiu ainda com “as efemérides de Gesualdo e Corelli, bem como com a possibilidade de ter algumas das figuras cimeiras da música italiana da atualidade em residências artísticas”.
Logo nesta sexta-feira, o concerto “Viva Itália”, pela Orquestra Sinfónica do Porto da Casa da Música, traz Verdi e Berio e termina com “Itália” de Alfredo Casela.
No sábado à tarde há “Via Verdi”, um espetáculo do serviço educativo, e pela noite o Remix Ensemble apresenta o programa “Viva Berio”, que inclui a famosa obra que Luciano Berio escreveu para a sua mulher, “Recital for Cathy”, mas também trabalhos de Luca Francesconi (compositor em residência) e de Salvator Sciarrino (compositor em associação).
O programa completa-se com um domingo que tem Verdi como figura central, com a atuação do Coro da Casa da Música, pelas 18:00 horas, na Sala Suggia, e a interpretação das suas “Quatro peças sacras”, que incluem um notável Sabat Mater.
Na terça-feira, a Casa da Música conta com a presença da L’Orchestra Di Piazza Vitorio, formada em Roma mas que inclui músicos originários de paragens tão diversas como Tunísia, Brasil, Senegal, Índia, Hungria, EUA, América Latina e Itália.
Para além deste ciclo inaugural, António Jorge Pacheco também destaca, na programação dedicada a Itália, os ciclos “Música e Revolução” e à “Volta do Barroco”, para além de momentos como a estreia em Portugal da ópera “Quartett” de Luca Francesconi (24 de setembro), de “Studi per l’intonazione del maré” Salvator Sciarrino (1 de outubro, Dia Mundial da Música) ou ainda “Experimentum Mundi” do artista em associação Giorgio Battistelli (30 de março).
O diretor artístico lembra que Itália “deu igualmente o mote a um novo ciclo da programação que celebra o legado do movimento Futurista” e que decorrerá a partir de 19 de novembro.
Interrogado sobre que características salientaria na música composta em Itália, António Jorge Pacheco afirma que “embora se possa dizer que há um certo ‘italianismo’ na música, aliás difícil de definir, talvez o forte sentido de drama seja o aspeto mais presente, uma vez que é Itália o país berço da ópera”, pelo que “na programação de 2013 é dada uma expressão significativa às Músicas Cénicas”.
O diretor artístico da Casa da Música, questionado sobre as conexões musicais do compositor em residência e do compositor em associação, refere que “não há pontes, nem partilha estética” entre os dois mas para “Sciarrino, Carlo Gesualdo e Mozart são referências importantes, assim como o são Monteverdi e Berio ou a música popular italiana para Francesconi”.
Para António Jorge Pacheco “seria impossível fazer, numa temporada, um desfile exaustivo da lista de génios da música italiana e, como sempre, há que fazer opções e definir prioridades”, daí que compositores como Luigi Dallapiccola ou Bruno Maderna, por exemplo, que têm sido interpretados noutros anos pelos agrupamentos da Casa da Música, surjam pouco ao longo de 2013.
“As prioridades da Direção Artística incidiram sobre outros compositores igualmente relevantes e que não tinham sido antes dados a conhecer com profundidade ao público português, como são os casos dos três compositores em residência e associação, Francesconi, Sciarrino e Battistelli, ou os históricos do séc. XX Luciano Berio, Luigi Nono, Giacinto Scelsi ou Franco Donatoni”,concluiu António Jorge Pacheco.
@SAPO/Lusa
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