Intitulado “Música Tradicional”, o projeto está a ser desenvolvido naqueles três países lusófonos pela Associação Oficina da Courela, com sede em Azaruja, no concelho de Évora.

A iniciativa, cofinanciada pelo programa comunitário ACP Cultures+, pretende “a valorização da música tradicional” de S. Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Timor-Leste, através do “envolvimento das respetivas comunidades e do intercâmbio cultural”, explicou a associação alentejana.

Os trabalhos arrancaram no ano passado, decorrendo até final de 2016, e envolvem a pesquisa e inventariação da música tradicional daqueles países, nomeadamente de repertórios, instrumentos musicais associados, atores e as suas práticas culturais, culminando na implementação de medidas práticas.

“O nosso objetivo é pôr estes movimentos associados à música tradicional a funcionar em cada país, envolvendo as pessoas e pondo-as a tocar os seus instrumentos e as suas tradições, criando as condições para que isso aconteça”, realçou hoje à agência Lusa Elza Neto, da Oficina da Courela.

Segundo a responsável, o programa, que conta com parceiros em cada um dos países envolvidos, serve para “ajudar a manter a cultura e tradição destes povos”, mas não de uma forma “estanque ou cristalizada”.

“As pessoas, em especial as mais novas, têm que se rever nestas práticas culturais e não se pode pedir aos jovens de 15 ou 16 anos que toquem como se tocava há 60 anos. As coisas evoluem e adaptam-se, mas só conhecendo as práticas associadas à tradição é que os mais novos se podem apropriar e valorizar este património, mantendo-o vivo”, frisou.

A recolha, inventariação e registo sistemático de músicas tradicionais efetuados até ao momento vão permitir que, dentro de “duas ou três semanas”, segundo Elza Neto, fique disponível na Internet a base de dados do projeto, à qual vai ser adicionada mais informação gradualmente.

Três espaços existentes, um em cada país, também já começaram a ser adequados para o funcionamento de escolas de música, com instrumentos tradicionais para os alunos, incorporando ainda estúdios de gravação para artistas e grupos musicais.

“É uma forma de promover os grupos que se venham a formar ou os trabalhos desenvolvidos localmente”, até porque o projeto quer “criar oportunidades de profissionalização na área da música e espaços de encontro que permitam a integração de jovens com maiores problemas”, destacou, acrescentando que vão igualmente ser ministradas ações de formação a vários níveis.

Outro dos passos concretos vai ser um festival internacional de música tradicional, ainda sem data marcada, com artistas de Portugal e dos três países lusófonos abrangidos.

“Queremos juntar músicos destes quatro países, mas não para fazerem o que já sabem. O desafio vai ser pegar nos seus instrumentos e repertórios tradicionais e, através de uma residência artística em Cabo Verde, pô-los a trabalhar noutro enquadramento”, promovendo depois a sua circulação, no âmbito do festival, pelos quatro países, disse.

Para a Oficina da Courela, a música tradicional é não apenas “um meio de distinção e afirmação identitária”, mas também “uma via de excelência na comunicação e cooperação entre diferentes países e culturas”, podendo este projeto contribuir para a sua salvaguarda.

@Lusa

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