
Antes da entrada do quinteto de Los Angeles em palco, os mais céticos, que ainda não tinham visto Aaron Bruno e companhia ao vivo e a cores, questionavam-se: será que há vida para além de Sail? Há sim, respondeu a banda, que proporcionou aos presentes uma hora de espetáculo cheia de energia e intensidade, não desiludindo as mais otimistas expetativas – muito pelo contrário.
A entrada em palco fez-se ao som de Guilty Filthy Soul, imediatamente seguida por People,interpretadasperante um público que se mostrou bastante conhecedor do repertório da banda, acompanhando-a a preceito, quando convidado pelo vocalista. A primeira interação com a plateia chegou no final do segundo tema e não se ficou pelo obrigado da praxe. “Nós somos os Awolnation, somos de LA, California, e esta será a noite das vossas vidas”, prometeu Bruno, atacando, logo de seguida, Not your fault, um dos singles de apresentação do disco.
Entregue mais uma dose de electro-rock dançável de refrões orelhudos, fizeram-se ouvir os primeiros elogios ao nosso país, com o frontman a assegurar sentir-se, pela primeira vez nesta digressão, "normal", na medida em que o clima de Portugal lhe lembrava o de LA. “Vamos tentar trazer o bom tempo para cá”, garantiu.
Fez-se, então, ouvir Wake Up, um dos temas mais dançáveis do álbum, cuja sonoridade reggae do refrão fez muitos braços elevarem-se no ar. Sucedeu-lhe a intensa Kill your heroes e, continuando a abrir caminho por estradas mais rock, Soul Wars, que originou a primeira dose de headbang do concerto. All i need veio, pouco depois, quebrar um pouco o ritmo imposto, devidamente acompanhada pelo sing along do público.
Nova mudança de direção, desta vez com mais uma guitarra, empunhada pelo vocalista, que dá assim início a Joke, tema do primeiro EP do coletivo. De seguida, o momento por que todos esperavam: Sail é interpretada com garra e com o público de telemóvel no ar. Servido o hino, obviamente o ponto alto do concerto, Aaron Bruno abandona o palco, deixando as atenções focadas nos seus companheiros.
No encore, servido após uma pequena pausa, os Awolnation entregam-se ao garage-dance-punk de Burn it Down e, para finalizar em grande, a 11 minutos de Knights of Shame.
Finda a noite, já não restam dúvidas: há vida para além de Sail. A missão foi cumprida e o resultado foi um concerto que não deixou ninguém indiferente, que não defraudou quaisquer expetativas.
A noite começou com o one-man-show Itch e a mistura entre rap e eletrónia do seu EP de estreia “Manifesto part 1: How to fucking rule at life”, seguido em palco pelos Arcane Roots, que começaram a debitar o seu math rock pujante e intenso já com a casa bem composta, sempre com muita energia, entrega, paixão… e algum headbang à mistura. Hell and Highwater, canção do seu álbum de estreia, que verá a luz do dia em abril, fez, já perto do final, as delícias dos amantes do rock sujo e emocional à la Biffy Clyro ou Pulled apart by horeses. Uma banda para ter debaixo de olho.
Texto: David Silva
Fotografia: Cátia Martins
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