O Festival Silêncio, que desde dia 15 tem aliado a palavra a vários tipos de expressões artísticas, termina com uma aliança entre a poesia e o rock. "Moradas do Silêncio" é uma homenagem a Al Berto assente em quatro cantautores nacionais - Sérgio Godinho, Rui Reininho, JP Simões e João Peste - que, através de canções e poemas (juntos ou separados), recordam o autor de "O Medo" (e de dezenas de outras obras, sobretudo de poesia mas também de prosa).

"Já estava familiarizado com a obra e com a pessoa e tenho uma relação afetiva forte com ambas. Tive a sorte de ter sido contemporâneo de um tipo extraordinário, um dos primeiros poetas pop nacionais", diz-nos Rui Reininho, que chegou a colaborar com o autor falecido em 1997.

"Era uma pessoa muito próxima desta geração de músicos e faz sentido ser convocado para um festival destes", contou-nos JP Simões, que já homenageou Al Berto no primeiro disco do projeto Wordsong, em 2002. O ex-vocalista dos Belle Chase Hotel revê-se "na errância, na melancolia e no fascínio pela música e pela noite, numa certa procura ansiosa" que identifica na obra do poeta conimbricense.

Já Rui Reininho salienta "um certo dandismo, uma certa teimosia, uma grande independência e um respeito pelos clássicos" quando relembra a figura que vai homenagear. "Fiquei muito impressionado quando me apresentou à poesia do Eugénio de Andrade ou à obra do William S. Burroughs, que marcou muito a minha boémia", destaca ainda o cantor portuense.

Mas se alguns dos músicos que participam em "Moradas do Silêncio" já estavam familiarizados com a obra de Al Berto, outros aproveitaram a oportunidade para a descobrir. Foi o caso de Noiserv, que vai musicar os interlúdios do espetáculo. "Sabia mais ou menos que temáticas é que ele abordava mas não estava muito por dentro. Senti que com a leitura dos dez, quinze poemas que lemos consegui entrar mais no mundo dele. De certa forma, sou parecido com ele em algumas coisas e as experiências que relatou ajudam-me a ultrapassar as minhas", explicou-nos David Santos.

"Moradas do Silêncio" tem ainda entre os participantes quatro elementos dos Rádio Macau - Flak, Filipe Valentim, Samuel Palitos e Alex Cortez -, que constituem a banda de suporte. A vertente plástica fica a cargo de João Pedro Gomes, que se inspirou em imagens e fotografias do poeta manipuladas por Tó Trips (Mackintóxito). Além da música de Noiserv, os interlúdios contam com as declamações do ator Miguel Borges, que partem de poemas escolhidos por Nuno Júdice.

Espetáculo provavelmente único e irrepetível, "Moradas do Silêncio" mantém-se uma incógnita não só para o público mas também para os seus participantes, que não conhecem ainda tudo o que está preparado. JP Simões realça este caráter atípico de uma iniciativa da qual será simultaneamente autor e espetador: "Gravitar à volta da poesia de alguém é um ponto de partida para a descoberta dos intérpretes e dos poetas que existem nos intérpretes que participam nesta noite. Creio que nenhum dos participantes tem ideia do que é a estrutura e alinhamento total do espetáculo, o que acho que é bom. Espero um espetáculo intenso e enérgico, uma coisa forte e ácida, rock, que me parece combinar bem com a poesia do Al Berto, com as aventuras e desventuras das errâncias pelas cidades".

"Moradas do Silêncio" decorre este sábado a partir das 22 horas na Sala 1 do Cinema São Jorge, em Lisboa. Os bilhetescustam 15 euros.

Texto, entrevistas e edição @Gonçalo Sá/ Câmara @Magda Wallmont

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