Ontem, enquanto Maria Gadú tocava no palco TMN apenas algumas dezenas de pessoas assistam ao seu concerto. Hoje, à mesma hora e no mesmo local, os Expensive Soul conseguiram reunir uma generosa plateia. Mérito próprio, diga-se, mas também resultado de um dia com maior afluência de público. Os portugueses passaram em revista os seus principais êxitos como “13 Mulheres” e “Eu não sei” mas também músicas do último disco. Ao seu lado, como habitualmente, a bem oleada Jaguar Band contribuiu ainda mais para este bom começo de tarde.

Logo de seguida, James Morrisson fez suspirar corações adolescentes, muito empenhadas em demonstrar a sua admiração (ou paixão?) pelo músico. Enquanto o britânico cantava (e suava) as fãs agitavam cartazes (uns mais elaborados que outros) tentando chamar a atenção do seu ídolo. Para além dos sucessos óbvios, como “You Give me Something” e “Broken Strings”, Morrisson surpreendeu com uma versão de “Master Blaster” de Stevie Wonder.

Ainda apelando ao público juvenil, Colbie Caillat foi a banda sonora perfeita para umas mãos dadas e uns abraços na plateia. Elas sabiam de cor as canções, eles tinham na ponta da língua os piropos para enviar para cima do palco. A californiana teve o público na mão como poucos tiveram nesta edição do Sudoeste e com as suas canções leves, levezinhas, pôs muitos sub-16 a entoar as suas letras, como “Bubly”, “Realize”, “Fallin’ for You”. Mesmo sem Jason Mraz, a cantora e compositora não quis defraudar os fãs e interpretou “Lucky” com um dos elementos da banda.

Ao mesmo tempo que Colbie Caillat ocupava o Palco TMN, o Palco Planeta Sudoeste recebia o seu pequeno furacão. Não é a primeira vez que Lykke Li rouba as atenções. Já em 2008, na primeira edição do Super Bock em Stock, o seu concerto foi o mais falado. E, no Sudoeste, mesmo que a frescura das suas “Youth Novels”, o seu álbum de estreia, não seja o mesmo, não é por isso que não deixam de cativar.

O frio fica na Suécia, país natal de . Consigo traz a intensidade, ora contida ora explosiva, que transporta para as suas canções. “I’m Good, I’m Gone” ou “Little Bit” são exemplos disso mas mesmo as novas canções que apresentou (e que garantiu nunca terem sido tocadas ao vivo) mantém as mesmas características. A contar pelo (pouco habitual) grande número de pessoas que se reuniu em frente ao palco o sucesso não tem prazo de validade.

Mas a maior parte do público estava no Sudoeste para assistir ao concerto dos Jamiroquai. A banda de Jay Kay e amigos chegou, viu e venceu, com a fórmula habitual: uma máquina funk em alta velocidade e os êxitos que muitos conhecem desde os anos 90. “Virtual Insanity”, “Canned Heat” ou “Alright” são as armas de arremesso de uma banda que continua, 18 anos depois, a exibir uma forma invulgar.

E no centro do esquadrão de assalto está Jay Kay. O Chapeleiro Louco que corre o palco, incita à dança e acaba por dançar também. É muito por causa dele que as pessoas seguem os Jamiroquai, chegando até ao ponto de o confundir com o próprio nome da banda. Quando, no final, tocam “Deeper Underground”, da banda sonora do filme Godzilla, a resposta do público não podia ser outra senão aplaudir.

Coube aos Orelha Negra “a responsabilidade e o privilégio”, como os próprios afirmaram ao SAPO Música, de encerrar o Palco TMN. A tarefa de se seguir a Jamiroquai nunca é leve e o som dos Orelha Negra pode não ser o mais adequado ao Sudoeste. Mas, ao longo de uma hora, os portugueses fizeram o que podiam para inverter os dados do jogo. Samplaram Dee-Lite, Beyoncé e MC Hammer e jogaram com as referências funk e soul que dominam. Espalhados pelo recinto podiam ver-se algumas pessoas a dançar e isso já soa a vitória.

Texto e Fotos: Frederico Batista e Rita Afonso

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