Na passada sexta-feira, subiram ao palco das Noite Ritual por volta das 21h45 e trouxeram amigos: juntou-se a eles a Royal Orquestra das Caveiras, que os acompanhou neste concerto. Com eles, eram sete, de guitarras a saxofone a passar pelo contrabaixo e pela melódica.

Houve tempo para uma versão de Temptation, de Tom Waits, com o toque orquestral do saxofone a soar mordaz, boémio, a lembrar os cabarets que o jogo de luzes ao fundo do palco ia mostrando.

Lusitânia Playboys trouxe a história “de dois amigos do jazz que vão ao Cais de Sodré e encontram duas miúdas que, por acaso, têm os namorados ao pé”. De onde terá vindo a inspiração para esta?

De guitarra ao colo, camisa vermelha e cartola, Tó Trips afigura-se como um Slash português que toca fado e lembra Carlos Paredes.

Conversas à relva sentada

Numa noite quente, de verão, a lua estava cheia, a condizer com os jardins do Palácio de Cristal.

Na relva, miúdos iam correndo e berrando, enquanto os Dead Combo, senhores no palco, davam um concerto, literalmente, orquestral.

Filas intermináveis à parte, lá em cima era Paulo Furtado que se juntava à festa. O vocalista dos Wraygunn dava um ar da sua graça quando já se avistava lá ao fundo Lisboa Mulata. Com as guitarradas, tão próprias deles, foi só soltar os passos de dança.

Antes de terminar – por volta das 23h20 – ainda houve tempo para um corridinho: a guitarra de Tó Trips chorou um fado muito à português, muito à Dead Combo.

“É uma enorme honra estar aqui”

Palavras de Paulo Furtado. 00h10. Os Wraygunn subiam ao palco.

O novo álbum, “L’Art Brut”, abriu as portas do último concerto da noite num festival para todas as idades e gerações: pais, filhos mais velhos, irmãos mais novos…

Pelo meio, houve tempo para uma referência a Adolfo Luxúria Canibal e aos seus Mão Morta; "Soul City Here We Go" ouviu-se ontem em inglês mas foi já gravada com o vocalista bracarense em português. Ele que, nas palavras de Furtado, “tanto fez pela música em Portugal...”.

Era agora tempo de chamar ao palco a convidada que viria também ajudar a terminar o concerto. Marta Ren, voz nos Bombazine, nos Sloppy Joe, nos Dealema, e agora no palco das Noites Ritual.

“Carla para o pessoal, Sal para os amigos”

Estava na altura de acrescentar tempero ao concerto: no palco, do nada, surge uma rapariga vinda do público que se agarra a Paulo Furtado e que divide com ele e como resto da banda o palco durante uma música. Era a Carla, para o pessoal, e Sal, para os amigos.
Em Teenage Kids, Furtado continuou a dele e deixou juntar-se a ele perto dedez pessoas que dançaram e saltaram como adolescentes – que alguns eram.

Um dos picos de batimento cardíaco chegou com Go Go Dancer, que teve direito a solos e apresentações de vários elementos da banda.

“Ser português é uma grande honra para mim, estar aqui com vocês hoje é uma grande honra”, diz o senhor de óculos escuros a dirigir o espetáculo.

O concerto terminou com os Dead Combo a juntarem-se à festa e as duas vocalistas dos Wraygunn com Marta Ren, de novo no palco, a passear pelos braços do público.

Atividades paralelas

Mas as Noites Ritual não são só concertos de palco. Ao longo dos dois dias há mais do que oportunidades para assistir a performances, a animação de rua ou a atuações fora do comum. Foi o caso dos ECOSONS, que atuaram antes de começar o concerto dos Dead Combo, com a sua percussão a partir de material reciclado.

A festa rija continuano Hard Club, no final dos concertos, para mostrar a quem vem de novo que as noites Ritual Rock são muito mais que um evento de música no último fim-de-semana de Agosto: são o último cheirinho a festival de verão, o adeus às férias e a promessa do até para o ano.

Texto: Inês Espojeira

Fotografias: José Luís Pinto

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