Houve a poesia de Rodrigo Amarante, a eletrónica dos Holy Fuck e de Lindstørm, a energia dos Paus e dos Linda Martini, o indie pós-rock dos Keep Razor Sharp, e ainda DJ sets e muita música na noite de sábado, naquela que é a Casa da Música. Circulava-se por todo o lado, na primeira sessão do NOS Club, novo nome para o Optimus Clubbing. E nem a chuva a cair lá fora demoveu o público, que enchia as diferentes salas, onde se faziam ouvir diferentes sons.

Coube ao cantor brasileiro Rodrigo Amarante a maior enchente da noite, e certamente da Sala Suggia desde há muito tempo, com pessoas a ocupar plateia, camarotes, escadas e até a plateia situada atrás do palco. O ex-Los Hermanos, que apresentava o seu primeiro trabalho a solo, “Cavalo”, cantou na sua língua natal, mas também em inglês, francês e até em castelhano. Andou por “Irene”, “O Cometa” e “Tardei”, cantou “Unfucktheworld”, um tema da cantora norte-americana Angel Olsen, e “Mon Nom”, entre outros.

“Obrigada a vocês que, num determinado momento, decidiram vir até aqui, apesar da chuva”, dizia Rodrigo a meio do concerto. O ambiente acolhedor da sala era apenas quebrado pelo jogo de luzes do concerto dos Paus que, entretanto, tinha começado na sala 2 e ‘entrava’ pela sala principal adentro, estragando a harmonia provocada pela música de Rodrigo Amarante.

O músico pediu mais luz para ver a sua audiência, porque não queria acreditar que estivesse tanta gente ali. E só no final tornou a pedir para baixar a luz da sala, porque “essa última canção pede um escurinho”. A canção era “The Ribbon” e foi a última daquele set. Rodrigo voltou logo a seguir para um encore com dois temas: “Maná” e “Evaporar”.

Naquele seu jeito, ‘meio sem jeito’, Rodrigo estava encantado com o público, que aplaudia e se deixava levar naquele ritmo de voz e violão. “É a minha primeira turnê só com violão”, explicava. Mas, quando se canta ‘poemês’, é preciso mais?

Na sala 2 já os Paus faziam os seus ‘estragos’. Um espaço assim parece demasiado pequeno para conter a energia e a força que sai das baterias de Hélio Morais e Quim Albergaria. A banda continua a ser uma das mais acarinhadas do público, que os acolhe sempre nos braços e se deixa levar por aquela impulsividade musical. Ainda assim, e apesar do excelente trabalho em palco da banda e do público, que a sabe receber, uma sala com esta dimensão parece ‘castrar’, mais do que tornar íntimo, um espetáculo dos Paus.

Mereciam a sala maior que, à mesma hora, recebia os canadianos Holy Fuck. A audiência era bastante reduzida e apenas as filas da frente se encontravam ocupadas, num concerto que andou pelo último trabalho da banda, “Latin”, já de 2010.

No início da noite, na Cibermúsica, os portugueses Keep Razor Sharp já tinham levantado a ponta da cortina da noite que se seguiria, e também do seu primeiro álbum, que se preparam para lançar nas próximas semanas. Muita animação e boa música.

Na sala 2, passava pouco da uma da manhã quando os Linda Martini subiram ao palco. As vozes masculinas no meio da audiência chamavam “Cláudia”, a baixista da banda. Amados pelo público e aclamados pela imprensa nacional – desde que começaram a editar, em 2006, os seus discos são presença habitual nas listas de melhores do ano –, os Linda Martini são uma das bandas obrigatórias a ver em palco. É uma festa e uma espécie de doença que se contagia entre palco e público, e vice versa. Não há como ficar parado e, por isso, é normal que uma boa parte do público acabe no palco, como foi o caso da noite de sábado, durante o tema “Ratos”.

DJ sets nos bares e a homenagem a Bowie por Álvaro Costa, na sala de ensaio, ajudaram a completar a noite de um evento que pretende celebrar a diversidade musical e que já tem agendada nova edição para dezembro.

Texto: Helena Ales Pereira

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