Começou quase como uma brincadeira, entre ensaios durante a digressão de Sam the Kid, em 2006. Foi aí que João Gomes e Francisco Rebelo, dois dos fundadores dos Cool Hipnoise, partilharam palcos com DJ Cruzfader e Frederico Ferreira (baterista dos Buraka Som Sistema, Rádio Macau ou Micro Audio Waves), os outros dois elementos do quarteto que acompanhou o rapper ao vivo.

Aos poucos, desses improvisos foram surgindo algumas composições e o projecto ganhou forma e nome. Um concerto no MusicBox, no final de 2008, assinalou a estreia dos Orelha Negra nos palcos. E dois anos depois chega agora o disco homónimo do quinteto, exercício lúdico onde memórias hip-hop, soul, funk ou jazz convivem com uma frescura à qual não será alheia a química em palco.

"Não foi uma coisa cerebral, foi uma coisa de um grupo a tocar", conta João Gomes ao falar do processo de criação do álbum. Tal como nas actuações, o improviso foi quase sempre o ponto orientador - e deverá continuar a ser. "Se calhar no próximo concerto já não vamos fazer nada do que está no disco. Ou vamos, não sei", realça o teclista.

Francisco Rebelo destaca a vertente instrumental do projecto. "Podes sempe criar o teu próprio filme quando ouves uma música", assinala o baixista. E desta interligação de loops e samples podem resultar os filmes mais eclécticos, à semelhança da diversidade que o hip-hop permite atingir.
"Quando estás a fazer colagens podes colar qualquer coisa. Um amante de música clássica que diz que não gosta de hip-hop porque só ouviu 50 Cent, de repente vai ver ali uma coisa com que se vai relacionar e vai curtir", exemplifica João Gomes ao defender que o hip-hop não se esgota no formato dos dois MCs e um DJ (mas que ainda é o mais familiar para muitos). "Essa é a vantagem do hip-hop, que mais do que um estilo de música é uma atitude, uma maneira de trabalhar e uma linguagem", conclui.

E um disco como o dos Orelha Negra é um bom exemplo da fertilidade que essa linguagem continua a apresentar.Ao vivo, assuas canções vão passar, por exemplo, pelos palcos doFestival de Curtas de Vila do Conde (a 8 de Julho) oudo Sudoeste (dia 6 de Agosto).

Texto e entrevista @Gonçalo Sá

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