Desde o início do julgamento do produtor de Hollywood a 22 de janeiro que os jurados ouviram seis mulheres contarem como o acusado as agrediu sexualmente. Weinstein, de 67 anos, nega os ataques e garante que todos os seus relacionamentos foram consentidos.

A respeitada psicóloga Elizabeth Loftus, testemunha da defesa, explicou ao júri na sexta-feira as diferentes maneiras pelas quais se podem deformar as memórias e "contaminá-las" com informações ou sugestões falsas.

A professora da Universidade da Califórnia em Irvine, que já testemunhou em cerca de 300 processos, disse que a precisão da memória diminui ao longo dos anos e também que ela se torna "mais vulnerável a informações posteriores ao facto" que sejam suscetíveis à realidade.

Ela deu como exemplo testemunhas que são pressionadas a dar mais detalhes sobre algo que viveram. Para satisfazer o pedido, "podem mencionar algo que é apenas uma hipótese, e depois ter a impressão de que é uma lembrança", disse Loftus.

A especialista sublinhou que factos que no momento não foram "traumatizantes ou comoventes" podem transformar-se nisso nas nossas recordações, se outros os etiquetarem dessa maneira.

A psicóloga também mencionou experiências que mostraram que falsas lembranças da infância poderiam ser "inseridas" em algumas pessoas.

Entre as informações suscetíveis de "contaminar as recordações", citou a cobertura mediática de um evento.

As acusações de agressões sexuais contra Harvey Weinstein foram regularmente noticiadas pelos meios de comunicação social americanos desde outubro de 2017.

A lembrança também pode ser deformada desde o início, se durante o facto a pessoa estiver sob efeito de álcool ou medicamentos, disse a especialista, que se referiu sobretudo ao Valium. Uma das acusadoras de Weinstein, a atriz Annabella Sciorra, informou no seu testemunho que tomou Valium antes de ser violada pelo produtor no inverno de 1993-94.

Durante o contra-interrogatório, Loftus relativizou as suas declarações. Ela admitiu que a precisão das recordações resiste melhor ao tempo quando essas são particularmente traumatizantes.

Também reconheceu que em mais de 40 anos de experiência foi convocada quase sempre pela defesa, que em geral tenta atacar a credibilidade de uma suposta vítima.

O julgamento continuará na próxima segunda-feira.

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