A autora de “Rosa, minha irmã Rosa” (1979), livro cuja edição é apontada como o início da sua carreia literária, vai estar na terça-feira à tarde na sala Almada Negreiros do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, “para uma conversa informal”, moderada por Fernanda Freitas e Nélson Mateus.

Esta sessão é “uma espécie de revisão da matéria dada”, disse a escritora à agência Lusa referindo a sua experiência de visitar escolas.

“Eu, praticamente, todos os dias vou a uma escola; estar com os alunos, com os professores, acho que isso faz parte do meu trabalho, não basta só escrever os livros. Eu quero mostrar-lhes que a leitura é uma coisa extraordinária, não tem nada a ver com as novas tecnologias. Cada coisa no seu lugar, tudo dá prazer às pessoas”, disse a escritora que considera que “os mais novos até leem mais do que se pensa e diz por aí”.

“Rosa, minha irmã Rosa”, na sua 34.ª edição este ano, assinala o início de uma carreira “sem nunca ter parado”, mas anteriormente Alice Vieira tinha publicado um livro de poemas, "De estarmos vivos" (1964), tendo assinado como Alice Vassalo Pereira, e um de contos, "Um nome para setembro" (1977).

O livro de poemas, contou à Lusa, “foi uma surpresa de uma amiga”, cujo marido trabalhava numa tipografia, tendo sido impressos 20 exemplares “para distribuir entre os amigos”.

Voltou à poesia com “Dois Corpos Tombando na Água” (2007), “O Que Dói às Aves” (2009) e “Os Armários da Noite” (2013).

A autora iniciou a sua carreira profissional como jornalista, num tempo em que “se habituara a escrever para contornar a Censura política, que retirou da circulação muitos livros”.

“Eu, como escritora, não tive esse problema, escrevi sempre em liberdade”, sublinhou.

Sobre os seus livros, maioritariamente para jovens, Alice Vieira disse: “Não tenho mensagem nenhuma, eu conto uma história para a pessoa se sentir bem, feliz, encantada, quando lê aquilo; agora, se pelo meio puder dizer qualquer coisa, interessar as pessoas a verem outras coisas, claro que é bom, mas não sou didática, escrevo as histórias que eu acho que eles gostam de ler”.

A autora reconheceu o êxito dos seus livros. “Ainda hoje vou às escolas e as pessoas leem a ‘Rosa minha irmã, Rosa’, e fazem-me perguntas”.

“Os meus livros, como disse uma vez um aluno, não são para ensinar coisas, os meus livros são para gostar de ler, é isso”, sentenciou a escritora de 76 anos.

Exceção são os “livros históricos”, como “A espada do Rei Afonso” (1981), relativamente ao primeiro chefe de Estado português, “mas onde há sempre liberdade criativa”.

Esta obra “tem sucesso” na Rússia, de onde ainda hoje recebe “imensa correspondência” dos leitores.

Alice Vieira tem dezenas de obras publicadas, com várias reedições.

Na terça-feira a escritora espera ver “muitas pessoas com quem falar, sobretudo, sobre os livros, a vida… enfim falar sem um guião”.

No âmbito dos 40 anos de carreira, estão previstos “dois grandes encontros com professoras, em Lisboa e no Porto, com apresentação do Fernando Alvim” e a presença da escritora, e uma exposição biobibliográfica, comissariada por Nélson Mateus, em Lisboa, no centro comercial Colombo, a inaugurar no próximo dia 17.

Alice Vieira recebeu em 1979 o Prémio de Literatura Infantil Ano Internacional da Criança, pelo título “Rosa, Minha Irmã Rosa”, e em 1983 o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura Infantil, com “Este Rei que Eu Escolhi”.

Seis anos depois recebeu o Prémio francês Octogone, pela edição em francês de "Os Olhos de Ana Marta". Em 2007 a autora recebeu o Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho, com o livro de poemas “Dois Corpos Tombando na Água”, em 2010 a Estrela de Prata do Prémio Peter Pan, da Suécia, pela edição sueca de "Flor de Mel", e, em 2016, o Prémio da Fundação Nacional para o Livro Infantil e Juvenil, para o Melhor livro em língua portuguesa editado no Brasil.

No ano passado, a autora publicou “Diário de um adolescente na Lisboa de 1910”.

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