Esta quinta-feira, um tribunal da Argélia condenou o escritor franco-argelino Boualem Sansal, detido desde novembro, a cinco anos de prisão, metade da pena solicitada pelo Ministério Público.

Sansal, cujo caso está no centro de uma crise diplomática sem precedentes com a França, foi acusado de atentar contra a integridade do território argelino por ter partilhado, num órgão de comunicação francês de extrema direita, a posição de Marrocos segundo a qual o seu território foi reduzido em benefício da Argélia durante a colonização francesa.

O tribunal correcional de Dar El Beida, perto da capital Argel, anunciou "na presença do acusado, uma pena de cinco anos de prisão" e impôs uma multa de 500.000 dinares argelinos (3428 euros), segundo um correspondente da agência France-Presse (AFP).

No julgamento de 20 de março, o procurador solicitara 10 anos de prisão para o romancista, que tem 80 anos, segundo a editora francesa Gallimard.

"A idade e o seu estado de saúde tornam cada dia de detenção algo ainda mais desumano. Peço ao presidente argelino: a Justiça falhou, que ao menos a humanidade prevaleça", pediu o advogado do escritor, François Zimeray, na rede social X (antigo Twitter).

A detenção de Sansal em novembro em Argel agravou ainda mais as tensões do país do norte da África com a França, desencadeadas após Paris mudar a sua posição oficial sobre o Saara Ocidental, cujo futuro, na sua opinião, passa pela "soberania marroquina".