Com esta peça que criou e adaptou com Jan Lauwers, Viviane De Muynck regressa ao Festival de Almada com um trabalho que, em 2018, lhe valeu o prémio Ultima de mérito cultural pelo Governo flamengo.

A partir do último capítulo de “Ulisses”, a atriz belga dá vida à mulher de Leopold Bloom, Molly Bloom.

“Símbolo da feminilidade, os seus pensamentos e o seu sentido de humor sobre os homens da sua vida, sobre a sua situação nesse momento, sobre as suas recordações, sobre a sua alegria de viver, são uma lição sobre como abordar a perda e o sofrimento”, lê-se no programa do festival a propósito da personagem da peça.

Em 1999, De Muynck e Lauwers pediram autorização aos herdeiros de Joyce para trabalhar o último capítulo de “Ulisses”, tendo recebido uma proibição explícita através de várias “cartas ofensivas”, como recorda a companhia no seu ‘site’.

Considerando este o seu melhor papel de sempre, De Muynck retomou o texto já com a obra fora da direitos de autor.

Falado e inglês e legendado em português, “Molly Bloom” tem dramaturgia de Elke Janssens e figurinos de Lot Lemm. O espetáculo está em cena até dia 25, último dia do festival.

No dia 21, é a vez de a companhia espanhola Lazona levar ao palco do Cine-Teatro da academia Almadense “Miguel de Molina a nu”.

Neste espetáculo, interpretado por Ángel Ruiz, tenta repor-se a verdade sobre a história pessoal do dançarino de flamenco Miguel de Molina (1908-1993).

Perseguido pela Espanha de Franco, Miguel Molina viu-se envolvido numa “onda de calúnias, cuja finalidade era denegri-lo”, em parte devido à sua homossexualidade, que Molina nunca renegou, muito pelo contrário, lê-se no programa do festival.

Sobre o espetáculo, Félix Estaire, que assina a encenação, escreve: “Abordámos este trabalho tendo em mente a ideia de levar para a cena uma personagem observada a partir de múltiplos pontos de vista – da dimensão pessoal à dimensão profissional, percorrendo a sua vida e o seu legado como um espelho no qual podemos ver-nos refletidos”.

Falada em castelhano com legendas em português, a peça terá mais quatro representações nos quatro dias seguintes.

Colóquios, exposições e um curso de formação – “O sentido dos mestres” – contam-se entre as atividades paralelas do certame, que este ano apresenta 21 espetáculos de sala, num total de 108 sessões.

O festival decorre até 25 de julho em cinco espaços em Almada e dois em Lisboa.

Tudo o que se passa à frente e atrás das câmaras!

Receba o melhor do SAPO Mag, semanalmente, no seu email.

Os temas quentes do cinema, da TV e da música!

Ative as notificações do SAPO Mag.

O que está a dar na TV, no cinema e na música!

Siga o SAPO nas redes sociais. Use a #SAPOmag nas suas publicações.