De acordo com a informação disponibilizada na página da BNP, a exposição intitulada “Joel Serrão (1919 – 2008)” ficará aberta ao público até ao dia 16 de novembro.

Comissariada pelo investigador José Guedes de Sousa, a exposição homenageia o historiador que se afirmou no meio intelectual português a partir dos anos da II Guerra Mundial, “com intuitos de renovação cultural e intervenção pública norteados pelo apostolado ‘sergiano’ que o acompanharia, por vezes criticamente, ao longo da vida”.

A obra de Joel Serrão denota uma grande variedade de interesses, que vão desde a sua inicial propensão filosófica (patente na tese de licenciatura e em antologias) até aos estudos literários, que abrangeram vários autores, como é o caso de Fernando Pessoa, logo em 1945.

Contudo, como destaca José Guedes de Sousa, foi na historiografia que Joel Serrão viu satisfeitos os seus diferentes interesses, primeiro no estudo de momentos-chave da história portuguesa (1383-85, 1640), depois o século XIX.

“Logo no início dos anos 1950 delineia um programa metodológico e de pesquisas que o irão ocupar nas décadas seguintes. Influenciado pelos Annales (Lucien Febvre, sobretudo), pretendia trazer valores e práticas da investigação científica para uma época ainda em grande medida desconhecida. Uma tarefa hercúlea de desbravamento das mais variadas perspetivas da sociedade oitocentista portuguesa, traduzida em estudos, ensaios, sondagens, hipóteses, revelação de fontes inéditas”, descreve.

O seu reconhecimento público esteve também associado à coordenação do Dicionário de História de Portugal, obra marcante deste período que cristalizou simbolicamente o estado da historiografia portuguesa durante os anos de 1960.

Embora nunca se tenha interessado pela intervenção política e partidária, sempre valorizou a dimensão cívica do historiador, através de referências a Alexandre Herculano, Oliveira Martins, Jaime Cortesão e António Sérgio, nas suas reflexões sobre as funções sociais da história.

Aliás, os temas de investigação que privilegiou - industrialização, emigração, burguesia, sebastianismo, entre outros – são bem representativos do que entendia serem os problemas estruturais da sociedade portuguesa e da sua adaptação aos desafios da modernidade, sublinha José Guedes de Sousa, salvaguardando, contudo, que a sua especialização em torno do século XIX "não significou rejeição de uma visão conjunta do passado pátrio, nem de uma equação da história também a partir do presente".

“Ainda assim, faltou uma 'opus magna' que sintetizasse toda a sua investigação, projeto que ambicionou mas que infelizmente não pôde concluir”, assinala o especialista.

A mostra é de entrada livre e vai estar patente na Sala de Referência da BNP.

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