“Sente-me, Ouve-me, Vê-me” (1979-1980) é o título de uma das obras fundamentais de Helena Almeida, que morreu em setembro do ano passado, constituída por uma peça sonora e duas séries de imagens fotográficas, e o nome escolhido para o projeto do programa educativo da BoCA, que é apresentado na sexta-feira, em Braga, no domingo, no Porto, e, na segunda-feira, em Lisboa.

“Interessa-me sempre que a programação tenha diferentes mecanismos de juntar as três cidades, a programação artística, mas também que esse mecanismo esteja refletido no programa educativo”, disse o diretor artístico da bienal, John Romão, em declarações à Lusa, explicando que o projeto “surgiu no início de 2018, quando se definiram as três cidades da bienal”.

A BoCA tem “ações do programa educativo em cada cidade, específicas a cada cidade”, mas o “Sente-me, Ouve-me, Vê-me”, surgiu “com o objetivo de ligar as três cidades, mas também com o objetivo em simultâneo de homenagear a Helena Almeida, que nos deixou em 2018”.

“Sente-me, Ouve-me, Vê-me” envolve alunos da Escola Superior de Música de Lisboa, da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE) do Porto e do Departamento de Música da Universidade do Minho.

Para o projeto, a BoCA convidou, como formadores, os curadores Ana Cristina Cachola, Filipa Oliveira e Delfim Sardo, para, “numa primeira fase, darem material de pesquisa e poderem permitir que os alunos abram o universo de quem foi Helena Almeida e, em específico, sobre esta série [‘Sente-me, Ouve-me, Vê-me’]”. Além disso, o projeto tem outros dois tutores, “no sentido mais prático do projeto”, os compositores Diogo Alvim e Dimitrios Andrikopoulos.

John Romão atribuiu um “verbo a cada cidade”, vindo do título original, visto que “há um universo específico dentro desta série que Helena Almeida trabalhou afeto a cada verbo”.

“Cada curador está afeto a uma cidade [Ana Cristina Cachola a Braga, Filipa Oliveira ao Porto e Delfim Sardo a Lisboa] e aportou a ideia de materiais referentes a essa série e, em cada cidade, há um verbo específico em que se cria, neste caso música, composições originais inspiradas nesse verbo dessa série, e aquilo que vai resultar é um concerto, que vai passar pelas três cidades”, contou John Romão.

Os concertos, marcados para o Museu Dom Diogo de Sousa, em Braga, a Casa das Artes, no Porto, e o Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, “servem para reunir os três verbos, as composições dos alunos que andaram a ser feitas de forma mais desligada, afeta a cada cidade, e que durante uma semana vão reunir os compositores todos e os instrumentistas para criarem um só objeto, que é o ‘Sente-me, Ouve-me, Vê-me’”.

John Romão reforça que o projeto reflete o “interesse de criar, na bienal, estas sinergias entre territórios artísticos, neste caso entre as artes visuais e a música, entre equipamentos culturais diferentes das três cidades, instituições de ensino, também das três cidades e até os próprios tutores, que, neste caso, são compositores e curadores, que são pessoas com referencias e universos muito diferentes, mas a trabalhar em prol do mesmo objeto”.

A programação da BoCA 2019, que cruza áreas artísticas e cuja 2.ª edição termina a 30 de abril, apresenta 22 estreias mundiais e conta com a participação de 52 artistas portugueses e estrangeiros.

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