Em declarações à Lusa, Diogo Marques, da organização do festival, adiantou que este era o plano B que vinha a ser trabalhado desde que se percebeu que não iria haver condições para a realização, em segurança, de festivais de verão.

"Nós estamos a trabalhar para assegurar o melhor cartaz possível, tanto os artistas que nós já anunciamos, como artistas que já tínhamos 'fechado' e que ainda não tínhamos anunciado. Estamos a tentar com as agências e com os agentes que o cartaz se mantenha em 2021", afirmou, salientando que, sendo o Vilar de Mouros um festival histórico de verão, não fazia sentido realizá-lo noutra altura ou noutro local.

O Governo anunciou hoje que a realização de festivais de música e de espetáculos de natureza similar está proibida em Portugal até 30 de setembro, devido à pandemia de covid-19.

No comunicado do Conselho de Ministros divulgado hoje, o Governo refere que para os espetáculos entre 28 de fevereiro e 30 de setembro de 2020 que não se realizem devido à pandemia está prevista "a emissão de um vale de igual valor ao preço do bilhete de ingresso pago, garantindo-se os direitos dos consumidores".

Para a organização do festival, esta decisão do Governo era a única solução possível em face das normas de higienização e segurança impostas pelas autoridades de saúde para travar o contágio por covid-19.

"Consideramos que a única solução seria esta, não víamos outra. Nós também não queremos ser agentes contaminadores. Seria um risco muito grande. Agora esperamos também que, quando for legislado, que o Governo também pense um pouco em nós em termos financeiros e crie algumas medidas de apoio", afirmou Diogo Marques.

Os prejuízos ainda não estão calculados, mas segundo aquele responsável serão na ordem dos milhares.

"Sabemos que é um prejuízo bastante elevado. Tudo isto é muito recente, ainda não temos os prejuízos calculados, estamos a negociar, estamos a ver se conseguimos evitar prejuízos maiores, mas, como é lógico, já tínhamos muitos custos assumidos e muitos custos pagos, porque para se confirmar artistas tem de se pagar", disse.

A edição de 2020 do Vilar de Mouros estava marcada para o último fim-de-semana de agosto, ou seja, nos dias 27, 28 e 29.

Em janeiro, a organização do festival tinha já confirmado a presença do músico norte-americano Iggy Pop.

Apresentado como "um dos músicos mais elásticos, inventivos e arrebatadores da história do punk, do rock e da pop contemporânea", Iggy Pop, 72 anos, regressaria a Portugal para um concerto a 29 de agosto, terceiro e último dia do festival minhoto.

Em 2019, o festival contou com mais de 46 mil espectadores.

A realização de festivais de música e de espetáculos de natureza análoga está proibida em Portugal até 30 de setembro, anunciou hoje o Governo, após reunião do Conselho de Ministros.

No âmbito cultural e artístico, "impõe-se a proibição de realização de festivais e espetáculos de natureza análoga, até 30 de setembro de 2020, e a adoção de um regime de caráter excecional dirigido aos festivais e espetáculos de natureza análoga que não se possam realizar no lugar, dia ou hora agendados, em virtude da pandemia”, lê-se no comunicado do Conselho de Ministros, atualizado hoje às 17:25.

“Para o caso de espetáculos cuja data de realização tenha lugar entre o período de 28 de fevereiro de 2020 e 30 de setembro de 2020, e que não sejam realizados por facto imputável ao surto da pandemia da doença Covid-19, prevê-se a emissão de um vale de igual valor ao preço do bilhete de ingresso pago, garantindo-se os direitos dos consumidores”, acrescenta o documento.

As duas decisões serão ainda submetidas à apreciação da Assembleia da República e incluem-se nas “medidas excecionais e temporárias de resposta à pandemia da doença covid-19 no âmbito cultural e artístico”.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 263 mil mortos e infetou cerca de 3,7 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

Mais de um 1,1 milhões de doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 1.105 pessoas das 26.715 confirmadas como infetadas, e há 2.258 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

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