A mostra inclui obras inspiradas no imaginário de contos literários como "O Feiticeiro de Oz" e "Pinóquio", e engloba também figuras do universo da fauna e flora naturais, como abelhas, borboletas, joaninhas, gatos, girafas e até seres híbridos cruzando diferentes espécies.

Fonte do Museu Municipal explica que muitas dessas peças recuperam memórias da infância do artista no contexto rural do concelho de Tábua, onde à época "não havia abundância de comida, nem de roupas, nem calçado, mas ele sempre foi livre de brincar nos campos, percorrer os montes, banhar-se no rio Vigues e Caima, comer amoras e procurar ninhos".

"Somos assim transportados, pela personificação caricatural em folha-de-flandres, a um tempo cuja ligação e lembrança se torna a cada dia mais ténue, a um tempo em que a força da natureza se impunha às gentes", defende a mesma fonte.

"São conteúdos originais de uma vida que assistiu ao aparecimento da modernidade nas nossas terras, que sofreu as agruras de tempos difíceis, mas que valoriza as boas memórias das gentes e ofícios já desaparecidos, de paisagens mais rurais que urbanas, de formas mais humanas de estar e viver", realça a fonte do Museu de Vale de Cambra

Aventino Monteiro nasceu em 1954 em Lombela, no concelho de Tábua, e teve o seu primeiro contacto com o trabalho do metal através de um artesão local que lhe despertou o gosto por essa ocupação.

Aos 11 ano entrou ao serviço na Latoaria Lindo Vale, onde "aprendeu quase tudo o que havia para saber sobre folha-de-flandres, inclusive a soldadura a estanho, um dos mais importantes processos no fabrico de embalagens por vedar hermeticamente a lata", e daí seguiu em 1973 para a COLEP, que, sendo um dos líderes mundiais na produção de embalagens metálicas e enchimento de aerossóis, o iniciou na produção em série.

Ao longo desse percurso, foi dedicando o tempo livre à criação de peças em metal como a de uma varina com canasta à cabeça, um homem com farnel sentado na carreta, uma mulher com o latão de soro das fabricas de laticínios, um Zé Povinho inspirado na personagem criada por Bordallo Pinheiro ou o fadista evocativo de um quadro de José Malhoa.

A exposição de Aventino Monteiro, "latoeiro, fazedor de latas", está disponível ao público até 3 de dezembro e tem entrada livre. Pode ser visitada de segunda a sexta-feira das 9:00 às 12:00 e das 14:00 às 17:30, e, aos sábados, apenas no primeiro de cada mês, durante a manhã (sendo que o museu está encerrado aos domingos, à primeira segunda-feira de cada mês e também aos feriados).

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