Como já seria de esperar, o ambiente era bastante calmo enquanto o pavilhão, que estava apenas a metade da sua capacidade, se enchia lentamente de um público predominantemente mais velho. E enquanto a casa ainda se estava a compor, eis que surgem os UHF, em substituição dos Tarantula, para abrir uma noite que estaria marcada por este e muitos mais improvisos.

Passavam uns meros cinco minutos da hora marcada quando os pioneiros do heavy metal atingiram o palco com "Time for Bedlam", do seu mais recente álbum "Infinite", de 2017, sem deixar os seus fãs indiferentes. "Fireball" e "Bloodsucker" foram as duas canções que se seguiram num ritmo sem espaço para pausas, deixando claro que a idade não conta assim tanto para estes grandes senhores da música.

"Strange Kind of Women" foi a seguinte na lista, onde Ian Gillan se sentiu incentivado, talvez pelo Popeye na sua camisola, a demonstrar toda a sua capacidade vocal em consecutivos improvisos que nos desviavam do facto de o cantor já ter 71 anos.

"Fantástico, obrigado. Muito obrigado! Olá. Muito obrigado por esta receção", agradecia o músico dando depois lugar a uma das novidades, "Johnny's Band".

Veja as fotos do concerto:

Mais algumas músicas, mais alguns improvisos e trocas de palavras, e rapidamente chegava a hora de ouvir uma das canções mais aguardadas da noite, "Lazy", durante a qual o público delirou por completo, podendo ver-se a plateia a mover-se ao ritmo da música e a juntar a sua voz ao coletivo presente.

"Birds of Prey" e "Hell to Pay" foram as faixas que antecederam o momento a solo de Don Airey. O músico, que substituiu o teclista fundador da banda, Jon Lord, falecido em 2012, já tinha tido espaço para demonstrar as suas capacidades como teclista, mas foi neste momento que deixou todos de cara à banda, especialmente ao adicionar "Cheira Bem, Cheira a Lisboa" ao seu arranjo. Escusado será dizer que, se os fãs já estavam rendidos aos seus talentos, ficaram completamente a seus pés perante esta pequena homenagem à capital portuguesa, fazendo soar gritos, assobios e palmas que ecoaram em todo o recinto.

Ainda em completo êxtase, os fãs mal tiveram tempo de recuperação quando a banda voltou a reunir-se em palco para nos presentear com " Perfect Strangers", seguido de "Space Truckin'", que voltava a deixar os fãs em perfeita euforia com os clássicos apresentados.

Contudo, se os ânimos ainda não haviam atingido o seu potencial máximo, tudo mudou quando as primeiras notas da lendária "Smoke on the Water" se fizeram ouvir. Gritos, palmas e um coro perfeito e coeso foi o que mais marcou este momento onde a banda apresentava a sua faixa mais conhecida de sempre, levando Ian Gillan a colocar a mão sobre o coração em sinal de agradecimento, sem mais palavras perante a resposta do público português.

"Hush" foi ainda um dos sucessos da banda a ser tocado, precedendo o solo de Roger Glover, e preparando-nos para a verdadeira despedida ao som de "Black Night", do álbum "Scandinavian Nights" de 1988.

"Vocês foram fantásticos, soberbos, magníficos! Nós adorámos estar aqui. Adeus", foram as palavras de despedida de Ian Gillan enquanto a banda abandonava o palco no seu último adeus em terras lusas.

Foram quase duas horas de concerto, onde estes senhores nos seus 70 anos nos deram momentos que recordaremos como se tivéssemos visto um grupo de jovens em palco. Uma atuação repleta de clássicos, de perícia e vigor. Contudo, tudo o que é bom acaba, e este é também o nosso adeus a uma grande banda. Foi muito bom, foi realmente "deep".

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