“Evangelho” terá duas representações, na sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II (TNDM), em Lisboa, no sábado, às 21:00, e no domingo, às 16:00, sessão que encerra a temporada 2016/2017 desta sala de espetáculos.

Comovente e íntima é, no mínimo, a explicação da obra pelo ator, encenador, realizador e dramaturgo que, com a companhia homónima, continua a fazer o luto da mãe, já presente em “Orquídeas”, um espetáculo sobre as diversas formas de amor.

Em 2012, no leito de morte, a mãe de Pippo Delbono, “uma típica mãe italiana e uma mulher religiosa”, pediu-lhe que fizesse um espetáculo sobre religião.

O encenador já filmara a mãe no leito de morte. Algumas dessas imagens utilizou-as no filme “Sangue”, com que obteve uma menção honrosa no DOCLisboa em 2013. Sequências desse filme foram também utilizadas em “Orquídeas”.

Em “Evangelho”, o criador italiano faz agora “uma missa a um tempo laica e lírica, que opõe 'a graça da fé' às violências e aos massacres perpetrados em seu nome”, como descreve o programa do Festival.

“Sem desejar falar diretamente do Evangelho mas antes da vida, do nosso tempo tão complicado de contar, sei ainda que qualquer coisa das Escrituras – aquela necessidade de amor que a minha mãe evocava – pulsará forçosamente no espetáculo”, afirma Delbono sobre esta obra.

Quinze atores, incluindo Pippo Delbono – responsável pelo texto e pela encenação - completam o elenco desta peça, uma produção do Teatro Nacional Croata, juntamente com o Théâtre Vichy-Lausanne, a Maison de la Culture d´Amiens – Centre de Création et de Prodution de Théâtre de Liège, com o apoio do Instituto Italiano de Cultura.

Falada em italiano e croata, a peça terá legendas em português.

No sábado, a 34.ª edição do Festival de Almada proporciona ainda “A morte do príncipe”, uma dramaturgia e encenação de Ricardo Boléo, a partir de textos de Fernando Pessoa, Heiner Müller e William Shakespeare.

A peça terá uma representação, no Auditório Fernando Lopes-Graça, no Fórum Municipal Romeu Correia (Almada), às 15:00, e faz parte do ciclo dedicado ao “Novíssimo teatro português”.

A decorrer até dia 18, esta edição do Festival é preenchida com 44 produções de teatro, dança e música, das quais 27 são espetáculos de sala. Destes, 13 são produções portuguesas, cinco delas em estreia.

Em paralelo, há ainda espetáculos e animação de rua, concertos, exposições e debates.

Organizado pela Companhia de Teatro de Almada (CTA) e dirigido pelo diretor da companhia, Rodrigo Francisco, o festival está orçado em 820.000 euros - 257.000 são investidos pela câmara local, 363.000 resultam de parcerias e de receitas próprias do certame, e 200.000 provêm dos subsídios atribuídos pela Direção-Geral das Artes (metade do financiamento da DGArtes à companhia).

Casa da Cerca/Centro de Arte Contemporânea, Teatro Municipal Joaquim Benite, Teatro-Estúdio António Assunção, Incrível Almadense e Fórum Romeu Correia, em Almada, Teatro Taborda, Teatro Nacional D. Maria II, Centro Cultural de Belém, em Lisboa, são os locais onde decorrem as representações.

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