O casal Mário Dorminsky e Beatriz Pacheco Pereira, acusados de se apropriarem indevidamente de 2.810 euros provenientes das edições do Fantasporto de 2012 e de 2013, conhecem hoje o acórdão no Tribunal de São João Novo, no Porto.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), os dois responsáveis pela cooperativa Cinema Novo, organizadora do festival internacional de cinema, e Manuela Pacheco Pereira, irmã de Beatriz Pacheco Pereira, apropriaram-se indevidamente de 2.810 euros relativos a passes livre-trânsito para as edições do Fantasporto de 2012 e de 2013.

Na primeira sessão de julgamento, realizada em 11 de outubro, o casal assumiu perante o coletivo de juízes, presidido por Otávia Marques, ter recebido numa conta bancária particular conjunta dinheiro de bilhetes do Fantasporto, admitindo tratar-se de “uma asneirada” e de um “disparate”.

O arguido disse que “toda a área financeira” do festival passava por ele, contando que, “numa conversa de fim de tarde” com a mulher, acertaram que as transferências dos pagamentos dos “cartões de participante” no Fantasporto passariam a ser feitas para a conta titulada por ambos, para despesas e fundo de maneio do festival.

“Foi uma asneirada. Não há outra forma de dizer isto”, assumiu um dos rostos e criadores do Fantasporto, após a juíza presidente o lembrar que uma cooperativa tem obrigações e deveres legais incompatíveis com este tipo de procedimento.

Dorminsky justificou a decisão com o facto de a esposa, outra fundadora do festival e que fazia parte da direção da Cinema Novo, pagar muitas das despesas do Fantasporto com dinheiro próprio, além de o casal, disse, ter feito vários empréstimos à cooperativa.

O gestor cultural afirmou que não se aperceberam de que estavam a cometer algo de ilegal, sublinhando que, após uma inspeção tributária, Beatriz Pacheco Pereira devolveu, através de cheque, cerca de 2.700 euros à cooperativa Cinema Novo.

Em julgamento, Beatriz Pacheco Pereira confirmou a versão apresentada pelo marido.

“É verdade, houve um erro. Lamento profundamente”, declarou, acrescentando que o dinheiro serviu de fundo de maneio para despesas correntes durante o Fantasporto, nomeadamente, com voluntários do festival.

Beatriz Pacheco Pereira salientou que nunca se apropriou de dinheiro da cooperativa e que, no final do Fantasporto, era feito “o acerto de contas” com a Cinema Novo, reiterando que, durante décadas, pagou despesas relativas ao festival com o seu próprio dinheiro.

Quanto à irmã, a outra arguida no processo, Beatriz Pacheco Pereira frisou que “nada tem a ver” com a situação, sublinhando que esta se limitou a cumprir as instruções.

Manuela Pacheco Pereira era, à data dos factos, elemento da direção da cooperativa, que trabalhava no secretariado, e, segundo a acusação do Ministério Público (MP), também tesoureira, apesar de negar em tribunal ter tido essa função.

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