Num comunicado hoje divulgado, os responsáveis pelo projeto informaram que a programação será composta por mesas transmitidas ao vivo, em plataforma própria e nas redes sociais, além de vídeos gravados, eventos paralelos e programações de parceiros.

“Este é um ano atípico, por isso optamos por este formato. A Flip Virtual contará com uma linguagem própria que respeita o sentido original e o espírito da festa: ser mais do que um mero evento, estabelecendo uma relação duradoura e permeável com Paraty”, explicou Mauro Munhoz, diretor artístico da Flip.

Para isso, está sendo produzida uma série de vídeos que irão aproximar o público da cidade, trazendo o sentido mais amplo da festa literária, as histórias e personagens da cidade de Paraty para dentro da edição online.

Já estão confirmadas as participações da autora inglesa Bernardine Evaristo, a autora de "Rapariga, Mulher, Outra", com que conquistou o Booker Prize 2019 (ex-aequo com Margaret Atwood), a colombiana Pilar Quintana e o brasileiro Itamar Vieira Júnior, vencedor do Prémio Leya 2018, com "Torto Arado".

O anúncio da edição virtual da Flip ocorreu na sequência da saída da curadora da edição 2020 da festa literária, Fernanda Diamant.

“A partir do trabalho iniciado por ela no primeiro semestre e encerrado em agosto, foi dado seguimento à programação internamente. Por isso, os convites oficiais emitidos pela Flip antes da eclosão da pandemia estão sendo honrados pela instituição”, frisaram os organizadores do evento.

“Como todas as instituições ligadas às artes no mundo inteiro, a equipa da Flip enfrentou o desafio de uma pandemia que não faz exceções. (…) O nosso programa virtual, iniciado por Fernanda Diamant em sua passagem como curadora, mais uma vez trará grandes escritores de todos os cantos do planeta, com o objetivo de iluminar, agradar e unir os amantes da literatura”, acrescentou Liz Calder, presidente do conselho da Flip.

A Flip virtual também não trará nesta edição a figura do autor homenageado, devido ao momento pandémico mundial.

Antes de anunciar esta decisão, os organizadores haviam escolhido a poeta norte-americana Elizabeth Bishop.

“Entendemos que este ano a pandemia causou a morte de artistas imprescindíveis à nossa cultura, como o escritor Sergio Sant’Anna, o compositor e letrista Aldir Blanc, o artista plástico Abraham Palatnik e a regente Naomi Munakata, entre muitos outros. Portanto, este não é um momento de celebração. Assim, não teremos um autor específico em destaque, iremos homenagear coletivamente os que partiram”, justificaram os organizadores.

Mesmo sem a realização presencial nesta edição, estão sendo preparados encontros que qualificam a linguagem virtual em seu potencial artístico e poético.

“Da mesma forma que incorporamos à cidade estruturas mutáveis de diferentes temporalidades e impactos, todos os anos no mês de julho, sempre de maneira respeitosa com o contexto urbano, nossas ações no meio online trarão essa permeabilidade e esse abraço ao espírito da festa, de forma orgânica, proporcionando ao público novas experiências de uso dos espaços virtuais”, afirmou Munhoz, diretor artístico da Flip.

A direção da Flip também informou que espera uma queda significativa de receita e, para esta edição virtual de dezembro de 2020, ainda está sendo realizado o trabalho de procura de apoios e contactos com a comunidade local.

Apesar de ser uma edição virtual, estão sendo colocados todos os esforços para que a festa traga as características de sempre, que é ser parte da alma genuína e território em que está localizada.

“Neste momento, estão sendo pensadas alternativas para a movimentação e a retomada gradual das atividades que envolvem a participação do público, além da consolidação de estratégias de sustentabilidade para a cidade, com foco sempre na preservação dos valores culturais e naturais da região”, concluíram os organizadores do evento.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo número de mortos (mais de 4,9 milhões de casos e 146.675 óbitos), depois dos Estados Unidos.

A pandemia de COVID-19 já provocou mais de um milhão e quarenta e cinco mil mortos e mais de 35,5 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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