Este ano, explicou à Lusa o diretor da iniciativa, Luís Alcatrão, o Iminente terá “um formato bem diferente": “Não é um festival, é a Oficina Iminente. Vamos ter uma parte musical, obviamente, mas o foco é na experimentação e na formação artísticas”.

O festival Iminente, que junta música e artes visuais e tem Vhils como um dos fundadores, realizou-se pela primeira vez em Oeiras em 2016, cidade à qual regressou no ano seguinte. Em 2018, o Iminente mudou-se para Lisboa, para o Panorâmico de Monsanto, onde voltou a realizar-se no ano passado.

Este ano, adaptado à realidade da COVID-19, a organização irá “novamente ocupar o edifício” e irá fazê-lo durante dez dias, entre 9 e 19 de setembro.

Tendo em conta as limitações impostas pela pandemia, a organização chegou a ponderar não realizar este ano o Iminente, “mas foi um pensamento que rapidamente se desvaneceu”.

A Câmara Municipal de Lisboa (CML), coorganizadora, “manifestou interesse em que se fizesse o Iminente acontecer, mas claro que o formato teria que ser reinventado”.

“Temos esta vantagem de sermos um festival de todas as artes e isso dá-nos a possibilidade de reinventarmos o formato mais facilmente do que a maior parte dos festivais, que são puramente festivais de música”, referiu Luís Alcatrão.

Foi a partir da componente de arte pública e de relação com as comunidades, “mesmo que [esta última] não seja tão evidente para o público em geral”, que “começaram a surgir várias ideias”.

“Houve muitas alternativas em cima da mesa e achámos que esta [Oficina Iminente] era a que mais se aproximava do que é o Iminente, desta experiência que normalmente conseguimos, com alguns milhares de pessoas, de proximidade entre artistas e público”, referiu.

Mas, este ano, essa proximidade foi levada “um bocadinho mais a sério”, visto que “o público participará e criará alguma coisa em conjunto com os artistas”.

“Ou seja, não é só o público ter uma experiência muito próxima dos artistas no resultado final, mas o que estamos a propor é que o público faça parte do processo criativo, da montagem, da produção, do desenvolvimento de conceito”, referiu.

Para isso, foram criados sete oficinas, “quatro delas com uma duração mais alargada, de quatro dias, com ±maisenos±, Chullage, Os Espacialistas e Piny.Orchidaceae, todos de áreas artísticas diferentes, e três de um dia, com Wasted Rita, Trypas Corassão e Inês Tartaruga Água”.

Em cada uma, o importante não é tanto o que daí resultará, “mas aproveitar esta junção de dez ou quinze pessoas com um artista, ou com vários porque muitos vão trazer convidados, e aproveitar para explorar tantas cabeças diferentes a dar ideias”.

Segundo Luís Alcatrão, o artista funcionará mais como um guia “das ideias que vão surgir” do que como alguém que “impõe o seu trabalho artístico”.

Os ‘workshops’ terão um custo entre os 35 e os 100 euros, mas serão atribuídas três bolsas para cada um deles, cujas candidaturas abrem hoje, em www.festivaliminente.com, e encerram no domingo. Os resultados serão anunciados no dia 26, o mesmo dia em que são postos à venda os bilhetes, em www.ticketline.pt.

Os participantes das oficinas serão os únicos, além da organização, com acesso ao Panorâmico de Monsanto durante os dez dias: “ao ‘workshop’ em que se inscrevem, obviamente, ao acompanhamento da produção e montagem das peças de Arte Pública, e, nos dias 18 e 19, a uma programação de debates e concertos”.

Enquanto decorrerem os ‘workshops’, “estará também a decorrer produção de cinco peças que ficarão permanentemente no Panorâmico, de AddFuel, AkaCorleone, Tamara Alves, Wasted Rita e Francisco Vidal”.

Quando a CML reabrir o Panorâmico de Monsanto enquanto miradouro, estas cinco peças “estarão disponíveis gratuitamente para visita a todos os que quiserem lá passar”.

Mas este ano, a Arte Pública estende-se para lá do Panorâmico: “Vamos ter também uma componente em criação colaborativa com algumas associações, em alguns bairros onde estamos a trabalhar. Vai ser desenvolvida uma peça, murais quase todos, em parceria com essas associações, com crianças e jovens, e os artistas que vão estar nesses locais são a Tamara Alves, o ±maisenos±,, os Halfstudio e o Gonçalo Mar”.

Para os dias 18 e 19 de setembro estão programados quatro debates e quatro concertos, que serão transmitidos online, em ‘streaming’, entre as 15:00 e as 20:00 de cada um dos dias.

Os debates serão sobre “O underground e espaços artísticos para a transformação social”, “Biopolítica e o exercício de poder”, “Autogestão e apoio mútuo em tempos de pandemia” e “Urbanismo, património e estatuária”, e os concertos serão de Chong Kwong, Mynda Guevara, Shaka Lion e XEH!.

O Oficina Iminente tem curadoria de Alexandre Farto (Vhils) e da plataforma cultural Underdogs, fundada em 2010 e que se divide entre arte pública, com pinturas nas paredes da cidade, exposições dentro de portas (no n.º 56 da Rua Fernando Palha) e a produção de edições artísticas originais. A plataforma começou em 2015 a organizar visitas guiadas de arte urbana em Lisboa.

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