O último dia do NOS Primavera Sound foi protagonizado por duas mulheres: Rosalía e Erykah Badu destacaram-se como estrelas maiores e conquistaram todos os festivaleiros que passaram este sábado, dia 8 de junho, pelo Parque da Cidade do Porto. Tal como na sexta-feira, que contou com J Balvin, o festival recebeu mais de 25 mil pessoas.

Quando foi anunciado o cartaz da edição de 2019 do NOS Primavera Sound, Rosalía e Erykah Badu foram dois dos nomes mais celebrados pelo público. E os fãs não se limitaram a escrever elogios nas redes sociais: encheram praticamente o Parque da Cidade do Porto, num dia que ficou marcado pela comunhão entre veteranos e jovens valores da música.

A partilha entre gerações começou no arranque do festival, com Lena D' Água a juntar-se aos Primeira Dama no Palco SEAT. À mesma hora os brasileiros O Terno, banda de Tim Bernardes, espalharam amor e sorrisos pelo Parque da Cidade.

LENA D'ÁGUA
créditos: DIOGO ALMEIDA

O primeiro ponto alto do dia chegou com Rosalía. Pouco depois das dez da noite, a nova diva da música espanhola subiu ao Palco NOS e teve direito a uma das recepções mais calorosas do festival.

A estreia da artista em Portugal arrancou com "Pienso en tu mirá", um dos temas mais celebrados do seu segundo disco, "El Mal Querer". O disco de 2018, baseado no "Romance de Flamenca", um manuscrito do século XIII sobre uma mulher cujo amante a mantém trancada em uma torre, foi o prato principal de todo o concerto.

No alinhamento seguiu-se "Como ali", "Barefoot in the Park" e "De madrugá". Entre as canções, sem timidez, Rosalía foi conversando com o público e em português - o à vontade em palco e as conversas entre os temas transmitem espontaneidade, num concerto que encanta os fãs e que conquista quem ainda está a descobrir a música e o mundo da artista de Barcelona.

No palco maior do NOS Primavera Sound, Rosalía esteve acompanhada por um grupo de dançarinos. Os efeitos visuais também ajudaram a dar força às canções da jovem cantora.

"Que No Salga La Luna", "Maldición", "Te estoy amando locamente", "Di Mi Nombre" e "Bagdad" também não ficaram de fora do alinhamento de Rosalía. Mas o primeiro ponto alto da noite chegou com "Con altura", tema da artista espanhola com J Balvin.

ROSALÍA
créditos: DIOGO ALMEIDA

O ponto alto do concerto ficou reservado para o final. Ao som de palmas (batidas com as mãos ao contrário), chegou "Malamente", o grande sucesso de Rosalía. A uma só voz, sem hesitações, o público foi o coro mais afinado da artista e fez-se ouvir a distâncias consideráveis.

Durante cerca de uma hora, Rosalía serviu o seu disco "El Mal Querer", que respira juventude, poder, pop e flamenco. O ritmo, as coreografias, as luzes e sua linguagem própria e particular conquistaram o público - ela pode ter chegado há pouco tempo mas, a julgar pelo concerto no NOS Primavera Sound, está disposta a lutar para ficar. E ainda bem.

O fim com Erykah Badu

Depois da festa de Rosalía, foi a vez de Erykah Badu subir (com um atraso de mais de 30 minutos) ao Palco NOS do festival do Parque da Cidade do Porto. As expectativas eram altas e a artista norte-americana não desiludiu no que diz respeito ao alinhamento, oferecendo praticamente tudo o que os fãs queriam ouvir.

A mancha humana em frente ao palco foi claramente menor, em comparação ao concerto de Rosalía, com muitos espectadores a despedirem-se do festival antecipadamente.

"Caint Use My Phone (Suite)", "Hello", "Hello It's Me" (versão de Todd Rundgren), "Out My Mind, Just in Time", "I Want You", "On & On" e "... & On" abriram o desfile de canções. Em palco, Erykah Badu fez-se acompanhar pela sua banda (com baixo, bateria, percussão e teclados) e pelo seu coro de três vozes.

No NOS Primavera Sound, mais do que um concerto, Erykah Badu deu uma aula de história, viajando do passado até ao presente da música negra.

"Um samba como esse tão legal"

Bem antes, no arranque do último do NOS Primavera Sound, Lena D' Água e Primeira Dama fizeram uma 'grande festa' no Palco Super Bock, viajando tanto pelos clássicos da cantora quanto pelos álbuns do artista. À mesma hora, os brasileiros O Terno também encantaram o público com as suas canções que nos deixam com um sorriso de orelha a orelha.

A música brasileira também esteve em destaque no Palco NOS. Antes das oito da noite, o veterano Jorge Ben Jor trouxe uma boa dose de MPB (Música Popular Brasileira), de samba, de rock e de funk com canções que estão na memória de todos.

"Mas que nada", o maior sucesso da carreira de Jorge Ben Jor, foi o tema mais celebrado do concerto, com o público a soltar a voz e o corpo - o Parque da Cidade do Porto quase se transformou num Sambódromo.

O último dia do NOS Primavera Sound contou ainda com os Big Thief, que trouxeram até ao Porto o seu novo disco, "U.F.O.F", editado no mês passado. Viagra Boys, Nina Kraviz também animaram o Parque da Cidade do Porto.

... e até 2020

O NOS Primavera Sound vai regressar ao Parque da Cidade do Porto em 2020, com a nona edição do festival a decorrer entre 11 e 13 de junho, disse à Lusa o diretor do evento, José Barreiro.

“Queremos que seja uma edição competente, que reflita todo o trabalho até agora, não só no recinto como em termos de programação. Queremos continuar a arriscar”, explicou Barreiro, no último de três dias da oitava edição, no Parque da Cidade.

Para o próximo ano está já confirmada a presença dos norte-americanos Pavement, um “exclusivo mundial” do NOS Primavera Sound e do mesmo festival em Barcelona, que comemora a 20.ª edição.

Essa data será assinalada em 2020 com uma extensão em Los Angeles, com Barreiro a admitir, dias antes do evento, que este possa ter um efeito positivo “direta e indiretamente” no Porto.

Por outro lado, o objetivo é “voltar mais forte”, depois da “edição mais difícil de sempre”, por causa dos cancelamentos de Ama Lou, Mura Masa, Kali Uchis e Peggy Gou.

Os motivos, que vão de problemas de saúde ao mau tempo que cancelou voos, além da avaria no radar do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, levaram a que esta edição pudesse “ser melhor”, apesar de a organização “não poder fazer mais”.

O balanço, ainda assim, é “positivo”, com concertos “muito bons” e um recinto que “nunca esteve tão bonito”.

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