Além de “Câmera Lenta”, a edição portuguesa inclui mais dois livros da autora, "Paris Não tem Centro", originalmente publicado em 2016, e "Engano Geográfico", de 2012, a par de inéditos e de poemas com origem noutros títulos da autora.

"Mecanismos interrogativos, manifestações de espanto sofisticado, os poemas de Marília Garcia estão atentíssimos aos fenómenos e às teorias", escreve o coordenador da coleção de poesia da editora, Pedro Mexia, na apresentação da obra.

"Contam coisas, descrevem coisas, desmontam coisas (máquinas, viagens, conversas, enganos geográficos, festivais de poesia), como se toda a narração fosse uma desconstrução. Usam truques, 'loops', mudanças de velocidade, deslocamentos linguísticos, materiais diversos", prossegue Mexia, sobre a poesia de Marília Garcia.

A edição portuguesa da obra fora já adiantada à agência Lusa, pela escritora, em dezembro do ano passado.

Numa entrevista a propósito da atribuição do prémio Oceanos, Marília Garcia revelou que, além do volume publicado pela Tinta-da-China, não estava posta de parte a possibilidade de prosseguir a colaboração com a Mariposa Azual, que editara "Um Teste de Resistores".

Até agora, na edição portuguesa, além deste livro, havia apenas a coletânea “A Poesia Andando: Treze Poetas do Brasil” (Livros Cotovia, 2008), coordenada pela autora.

O Prémio Oceanos de literatura de língua portuguesa, conquistado com “Câmera Lenta”, foi o “maior prémio” que Marília Garcia já recebeu, e que confessa tê-la deixado duplamente feliz: por si e pela poesia.

“Foi, de facto, o maior prémio que já recebi e fiquei bastante comovida e feliz, não só pelo reconhecimento do que faço, como pela premiação dada à poesia", disse à Lusa.

Para a escritora, foi também “comovente o contexto tão português do anúncio do prémio”, ao final da tarde, numa cerimónia no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa.

“Embora não estivesse lá, acompanhei a transmissão online e foi emocionante pensar que o 'Cancioneiro da Ajuda' estava ali no Palácio”, contou.

“Câmera Lenta” foi publicado no Brasil em 2017, pela Companhia das Letras.

Marília Garcia nasceu em 1979, no Rio de Janeiro, formou-se em Letras, doutorou-se em Literatura Comparada e soma cinco livros, publicados nos últimos dez anos: "20 Poemas para o seu Walkman" (2007), "Engano Geográfico" (2012), "Um Teste de Resistores" (2014) e "Paris Não Tem Centro" (2015), que antecederam "Camera Lenta" (2017).

Em 2018 publicou “Parque das Ruinas”.

Traduziu, entre outros autores, Emmanuel Hocquard, Gertrude Stein e Kenneth Koch.

"Cultíssima e ligeira, concreta nas questões abstratas, dubitativa mas não niilista, idiossincrática e dialogante, sem amargura nem malícia, Marília combina a segurança dos processos e a incerteza das conclusões. Ainda se assombra, ainda se pergunta. E diz-nos como isso se faz", escreve Pedro Mexia na apresentação da obra.

"Se a gente prestar atenção e fizer silêncio", diz Marília Garcia num dos poemas de "Câmera Lenta", "pode ser que ouça/alguma mensagem /perdida no ar".

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