O produtor executivo do "60 Minutes" foi demitido pela CBS esta quarta-feira (12) após acusações de assédio sexual e denúncias de que tolerou uma conduta abusiva.

A saída de Jeff Fager ocorre três dias após a saída do presidente da estação, Leslie Moonves, denunciado pelo menos por 12 mulheres de assédio e agressão sexual ao longo de várias décadas.

"Jeff Fager deixa a empresa com efeitos imediatos", escreveu o presidente da CBS News, David Rhodes, numa mensagem à equipa, informou a CBS News.

A saída de Fager "não está diretamente relacionada com as denúncias surgidas de informações da imprensa", mas o jornalista "violou políticas da empresa", sustentou Rhodes.

A CBS News citou Fager, dizendo que o seu contrato foi terminado por causa de uma dura mensagem de texto enviada a uma jornalista da CBS na qual pedia que fosse "justa" ao cobrir essa história e avisada que pessoas já tinham perdido o emprego por o tentarem prejudicar.

"Uma nota deste tipo não deveria resultar numa demissão após 36 anos [de trabalho], mas foi assim", declarou Fager, segundo a CBS News.

A 27 de julho, a revista The New Yorker publicou as primeiras acusações contra Moonves e também informou que 19 funcionárias atuais e antigas acusaram Fager, ex-chefe da CBS News, de permitir o assédio no trabalho.

O jornalista Ronan Farrow, vencedor de um Pulitzer pelas suas revelações na era do #MeToo, informou que Fager teria passado a mão em algumas funcionárias, incomodando-as em festas, e que, uma vez, bêbado, tentou seduzir uma funcionária jovem. Fager nega as acusações.

Anteriormente Fager tinha sido diretor da CBS News e era produtor executivo do programa de informação "60 Minutos" desde 2003.

Em agosto, a direção da CBS contratou advogados independentes para investigar as acusações contra Moonves, assim como "problemas culturais em todos os níveis na CBS".

Moonves é uma das maiores baixas da era #MeToo. A CBS anunciou no domingo a sua saída e disse que a estação e ele doarão 20 milhões de dólares a uma ou várias organizações que apoiem o #MeToo e a igualdade de género no trabalho.

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