Esta sexta-feira, 6 de novembro, o Pax Julia - Teatro Municipal de Beja acolhe os Moonspell para um espetáculo que é há muito uma tradição na história do grupo. O concerto especial de Halloween não tem faltado na agenda da banda nos últimos 15 anos e 2020 não foi diferente, apesar de desta vez a atuação decorrer após a Noite das Bruxas.

Inicialmente agendado para 31 de outubro, o concerto foi adiado e a mudança também afetou o horário de início, que passou das 21h30 para as 20h00, na sequência das normas governamentais motivadas pela COVID-19. Outra restrição foi a lotação da sala, limitada a 300 pessoas e já esgotada. Mas não há limite para os bilhetes virtuais de um espetáculo que também terá transmissão mundial online.

Em entrevista telefónica ao SAPO Mag, Fernando Ribeiro, o vocalista, revela como a banda tem lidado com os constrangimentos da pandemia, avançando ainda o que esperar do regresso aos palcos e do próximo álbum, confirmado para o início de 2021.

SAPO Mag - Os Moonspell já têm uma longa tradição de concertos de Halloween, mas nenhum ano terá sido tão atribulado como 2020. Como têm sido os preparativos?
Fernando Rbieiro - Acho que nunca ninguém tinha tido um ano como este... até parece que o Halloween é uma coisa fofinha no meio deste ano tenebroso, que tem colocado tantos desafios à população, às bandas, ao público. Encaramos isto com o espírito de que temos um dever a cumprir, temos uma tradição a manter, os nossos fãs também sido incríveis por nos apoiarem apesar das mudanças todas de planos. Temos preparado isto de uma maneira a ter bastante impacto, um concerto que vai ser transmitido virtualmente, e por isso apostámos também numa produção virtual mais arrojada, outro tipo de alinhamento... é quase como fazer um Halloween adiado, mas vamos tentar fazer com que o espírito esteja lá todo.

Moonspell

Em que é que o concerto deste ano vai diferir dos concertos de Halloween dos anos anteriores?
Não querendo fazer um grande spoiler, até porque os nossos fãs gostam de ser surpreendidos na altura, um concerto de Halloween dos Moonspell tenta sempre contar alguma história e ter sempre algum contexto... Todos os elementos são essenciais, desde a música de fundo que se coloca, que é uma playlist que fizemos no Spotify, até à maneira como se introduz a banda no concerto, como os efeitos visuais são espalhados ou as canções que escolhemos para tocar, tudo é imbuído desse espírito sacro-profano que de alguma forma caracteriza o Halloween e que tem caracterizado os nossos concertos ao longo de mais de 15 anos. Temos dito que o Halloween é quando a alcateia quiser e é nesse espírito que temos de trabalhar.

O vosso próximo álbum já foi anunciado, para fevereiro de 2021, e tem por enquanto o título "H". Terá alguma relação com o Halloween?
Oportunamente iremos divulgar o nome do disco, mas não tem nada que ver com o Halloween. Aliás, o Halloween para nós este ano representa o fecho de um ciclo porque depois o nosso próximo concerto, se tudo correr bem, será no Porto, no dia 17 de dezembro, no Pavilhão Rosa Mota, e aí sim, já iremos apresentar novas músicas do disco. Irá fechar o ciclo do "1755", das faixas antigas dos Moonspell, e depois vamos entrar numa nova fase. Regressámos há pouco tempo de Inglaterra, onde gravámos o disco, e muita coisa mudará nos Moonspell. Penso que também é uma altura para apresentarmos um projeto inovador, diferente do que temos feito, principalmente do nosso último disco, que foi cantado em português, mas essa parte do álbuns será muito mais enaltecida, e muito mais promovida, por assim dizer, depois de encerrarmos este ciclo.

Moonspell editam disco todo cantado em português, com Paulo Bragança como convidado
créditos: Lusa

O novo álbum foi criado nos últimos meses, marcados pela pandemia COVID-19. Esse contexto influenciou o resultado final de alguma forma, seja nas letras ou na atmosfera?
Claro que o disco versa temas como a solidão, por exemplo, e o abandono das cidades em virtude de uma vida mais calma, mais plena, mais em contacto com nós mesmos... Inevitavelmente, como sairá em 2021, e nós não sabemos como vai ser o mundo nessa altura - sabemos que hoje temos uma realidade não muito agradável de ser ver ou de se viver - , será lido à luz do contexto de uma pandemia para a qual tantas vezes nos avisaram - a comunidade científica - e nós, mesmo assim, não conseguimos preparar. Penso que o novo disco também é um convite a essa reflexão, ao facto de provavelmente termos de parar de pensar tanto em nós próprios e adquirir um sentido novo de comunidade, porque apesar de hoje em dia estarmos mais ligados do que nunca, acho que há uma solidão tremenda no mundo.

Haverá oportunidade de ouvir algumas canções novas no concerto de Halloween ou só no do Porto, em dezembro?
Acabámos de vir de Inglaterra, estamos a fechar os masters e as misturas finais. O concerto é já na sexta-feira, e normalmente uma banda precisa de tempo para ouvir o resultado final, que é sempre um bocadinho diferente daquilo que começámos a fazer pelo menos há dois anos para este disco. E para começar a tocar, vamos precisar de alguns ensaios. Mas se tudo correr bem, no Porto já conseguiremos tocar uma ou duas canções novas.

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