Pino Pelosi, o homem condenado pelo assassinato, há 42 anos, do famoso cineasta e poeta italiano Pier Paolo Pasolini, morreu aos 59 anos em consequência de um cancro, informaram meios de comunicação do país.

Pelosi, um prostituto que tinha então 17 anos, foi o único condenado pelo brutal homicídio de um dos maiores intelectuais da Itália, que foi encontrado morto a 2 de novembro de 1975 na praia de Ostia, perto de Roma.

Apesar do jovem ter confessado que agiu em legítima defesa ao ser atacado por Pasolini, que tentava violá-lo, as circunstâncias que rodearam o caso nunca foram esclarecidas e muitos elementos ficaram sem resposta.

Condenado a nove anos de prisão, a sentença foi confirmada em 1979 pelo Supremo Tribunal. Saiu em liberdade condicional em julho de 1983, mas foi novamente preso por furto um ano mais tarde e novamente pela mesma razão em 2000, e por venda de drogas em 2005.

Mais do que um crime passional, o assassinato do intelectual, então com 53 anos, foi para muitos um crime político.

Segundo esta versão, Pelosi teria sido o instrumento de uma conspiração de fascistas e líderes democrata-cristãos para se livrarem de uma personalidade incómoda devido aos seus posicionamentos marxistas, subversivos e críticos ao catolicismo.

"Pino Pelosi nunca quis contribuir para que se chegasse à verdade sobre a morte de Pier Paolo Pasolini. Infelizmente, levou o segredo para o túmulo", comentou Nino Marazzita, advogado da família Pasolini.

O cineasta, que escreveu e dirigiu filmes como "O Evangelho Segundo São Mateus", "Teorema" e "Salò ou Os 120 Dias de Sodoma", inspirou, em 1995, o filme de Marco Tulio Giordana "Pasolini, um delito italiano", que defende a teoria de que o seu assassinato foi ordenado por políticos.

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