“Prometeu agrilhoado”, de Ésquilo, foi o ponto de partida para o espetáculo produzido pelo Teatro Griot, coletivo cujo trabalho assenta na exploração de temas relevantes para a construção e problematização da Europa contemporânea e no seu reflexo no discurso e na estética teatral, acrescentou à Lusa Zia Soares.

Este não será o único trabalho que o coletivo teatral reporá para assinalar a efeméride, prevendo repor outros espetáculos "pelo menos dos mais emblemáticos", frisou Zia Soares.

Para este trabalho, estreado em julho de 2016, naquela sala de espetáculos na Rua Luz Soriano, o Teatro Griot convidou o coreógrafo João Fiadeiro e o artista visual Francisco Vidal para criarem um espetáculo que "procurasse o território do meio, do intervalo e da suspensão como lugar de eleição onde o espetador tivesse a sensação de ter entrado numa peça já em andamento e sem fim", disse João Fiadeiro na altura da estreia.

Com base na ideia de ruína, e num texto que “é um vestígio de uma língua, transmutado pelos copistas, pela tradução, pela química, pelo tempo e pela história”, surgiu o espetáculo que agora regressa ao palco do Teatro do Bairro, explicou aquela atriz e produtora do Teatro Griot.

A partir de duas traduções distintas de “Prometeu Agrilhoado”, de Ésquilo, designadamente do encontro de Io - uma das paixões de Zeus na mitologia greco-romana que este terá transformado numa novilha branca para iludir a mulher ciumenta – com Prometeu, João Fiadeiro construiu um espetáculo que definiu como “uma espécie de meta-diálogo entre traduções/tradutores que se aproximam, se afastam, se cruzam, chegando mesmo a sobrepor-se".

Neste trabalho, o encenador, que também é responsável pela adaptação do texto, acabou por dar protagonismo à vaca que se atravessa na vida do prisioneiro Prometeu e não na figura deste deus da mitologia grega que é personagem central da tragédia de Ésquilo.

“O lugar por onde a vaca passou" vai estar em cena até dia 24, com espetáculos de quinta-feira a sábado, às 21:30, e, aos domingos, às 17:00.

A interpretar o espetáculo, que tem cenografia de Francisco Vidal, estão os atores Ana Rosa Mendes, Gio Lourenço, Margarida Bento e Matamba Joaquim.

Com design de luz de Eduardo Abdala, os figurinos são de Inês Morgado e Neusa Trovoada.

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