Os Quatro e Meia não são coerentes, e não somos nós que o dizemos. O SAPO Mag esteve à conversa com dois dos elementos, Tiago (voz e guitarra) e Mário (voz e acordeão), da nova banda de Coimbra que acaba de lançar o seu primeiro álbum de originais, "Pontos nos I's".

Estão juntos desde 2013, mas apenas agora temos acesso ao vosso primeiro trabalho de originais...

Tiago (T): Podemos ver isto de duas formas. Pensar que passaram quatro anos e só agora temos um disco. Ou pensar, da forma que nós pensámos, que passaram quatro anos e já temos um disco. E digo isto porque, para além da música, nós temos as nossas profissões, um lado B, e isso fez com que nós apenas pudéssemos gravar à noite, e o processo acabou por se arrastar um bocado. Por outro lado, essa mesma falta de tempo também afeta a disponibilidade de fazer músicas, para puder sentar, tocar numa guitarra e fazer letras. Esse tempo nem sempre existiu, e o álbum acaba por refletir essa falta de disponibilidade para a criação e para a gravação. Mas, ao fim de quatro anos, ficamos felizes por finalmente termos  o nosso trabalho terminado!

Tendo isso em mente, qual foi a primeira música que acharam ter qualidade suficiente para constar do vosso primeiro álbum?

T: Penso que desde que fizemos o primeiro original, nós sentimos que existia uma empatia com as pessoas que ouviam, e desde o "P'ra Frente é que é Lisboa" percebemos que iríamos fazer originais e tentar chegar às pessoas através da nossa própria música.

Mário (M): Queríamos ter o nosso caminho próprio no que toca à música. No nosso primeiro concerto tocámos umas sete músicas, e eram todas covers de outros artistas, mas passados uns quatro meses lançámos o nosso primeiro original. Após isso, as pessoas perguntavam mesmo sobre quanto íamos lançar um novo original e quando vinha uma música nova.

Porquê a escolha de "Pontos nos I's" para o título do vosso álbum?

M: A escolha do título teve a sua origem no momento em que tínhamos de finalizar o trabalho. Juntar todas as peças que fomos construindo ao longo destes quatro anos de modo a completar o puzzle. Os 11 temas eram as músicas que nós tínhamos prontas naquela altura, e ainda pensámos em colocar mais alguma, mas optámos por pegar naquelas 11 músicas e deixar as mesmas no seu melhor estado possível.

T: O "Pontos nos I's" acaba por ser uma marcação da nossa própria identidade enquanto grupo, porque somos seis músicos com personalidades muito diferentes, e isso reflete-se no álbum, onde há músicas muito diferentes umas das outras.

Após estes quatro anos, qual a sensação quando o vosso álbum é finalmente lançado?

M: Sentimo-nos bem. Em primeiro lugar, não estávamos à espera que as coisas corressem desta forma. Já desde a formação do grupo que nós não estávamos à espera de nada. Nós surgimos por acaso e acabamos por continuar, por isso tudo o que vier a partir dai é um bónus.

T: E o álbum acaba por ser outro desses bónus. Se quando nos juntámos alguém nos dissesse que íamos lançar um disco em parceria com a Sony Music e com a nossa agência, que é a Primeira Linha, nós dizíamos que era impossível. Existe aqui um misto de sensações, uma felicidade enorme pelo lançamento do álbum, e por outro lado é um alívio tremendo puder dizer que finalmente está feito. Cumprimos com a nossa parte e com aquilo que as pessoas nos pediam.

Só o facto de ter uma editora altera as coisas, porque temos ali alguém que nos dá um prazo.

T: O grau de exigência altera-se logo.

Como têm sido os vossos primeiros concertos?

M: Fantásticos! O nosso primeiro concerto de apresentação foi na FNAC de Coimbra.

T: Estava cheíssimo! Havia pessoas pelos corredores, outras que desistiram por estar tanta gente e apenas compraram o disco e foram embora.

E mesmo os discos não foram suficientes...

T: Pois não, esgotaram! Foram repor e esgotaram de novo. Nós nunca imaginámos que seria assim, nem mesmo a FNAC ou a própria Sony.

M: Especialmente numa altura em que já não se vendem assim tantos discos em formato físico. É inesperado não só por sermos nós, mas por se venderem sequer, em geral.

T: É impressionante porque, a bem dizer, ainda somos uma banda desconhecida, mas mesmo aqui em Lisboa foi inacreditável! Voltámos a esgotar o stock, e tudo isto está a superar largamente as nossas expectativas.

Percebo que o "Meia" se deve ao vosso carinho pelo Rui, mas sendo vocês seis músicos, porquê Quatro e Meia, em vez de Cinco e Meia? 

M: Nós nunca dissemos que éramos coerentes. (risos)

T. Não somos mesmo, é verdade, mas tens razão, acertaste! Está tudo relacionado com o primeiro concerto. Nós começámos por ser cinco, quando o Pedro ainda não pertencia ao grupo, por isso éramos quatro... e o Rui, o nosso meia leca. É tudo carinhoso, obviamente. Ele próprio brinca com a estatura que tem e faz piadas com isso. Não é algo que lhe cause desconforto algum. O Pedro só surgiu no nosso terceiro concerto, e nós já tínhamos alguns seguidores, pelo que não faria sentido mudar o nome, sem contar que Quatro e Meia soa melhor do que Cinco e Meia.

M. Um outro ponto foi também o facto de, após o primeiro concerto, que foi gravado sem sabermos, nós publicámos algumas das nossas músicas no Youtube, com uma imagem da banda e o nome da mesma.

T: Pois é, já me esquecia! Esses vídeos começaram a ter algumas visualizações, e até o Miguel Araújo chegou a comentar.

M: O Tiago até me chegou a perguntar porque é que ia pôr os vídeos se nem tinha imagem.

T: É o lado empreendedor do Mário.

M: Valeu a pena.

Passando para um outro tipo de perguntas, que me parece que vão ser bastante adequadas para vocês, gostava de saber qual...

T: 8!

Esperava saber apenas um palco de sonho na vossa carreira, mas se forem 8...

T: Ai, não, não, não! Eu adiantei-me mesmo.

M: Hum, o Coliseu de Lisboa ou do Porto? Talvez o Teatro Circo...

T: Honestamente, eu não tenho um palco de sonho. Opa, vou ser sério agora! Eu gosto de tocar em casa com os meus amigos. Acho que o palco de sonho é mesmo na nossa casa com os nossos amigos e família, mas isto parece tão sério...

M: Foi bonito, foi franco, fica-te bem. (risos)

T: Meu Deus, eu fui sério uma vez na vida, e está registado! Foi hoje, obrigado. (risos)

Se pudessem escolher apenas um snack ou bebida para ter em backstage, qual seria a escolha de cada um?

T: Perfeito! O Ricardo queria gin.

M: Eu queria Redbull.

T: O João queria vinho tinto, eu queria cerveja, e o Rui seria ColaCao, porque a mãe não deixa beber outras coisas (risos). O Pedro acho que ia também para a cerveja. Íamos brindar os dois sem vocês.

M: Mas é preciso ter a mesma bebida para brindar?

T: Com Redbull não estás autorizado a brindar.

M: Pronto, tens razão. (risos)

E sem ser bebidas?

T: Ah, meu Deus, penso sempre em bebidas.

M: Isso é uma boa pergunta, nunca nos perguntaram isso.

T: Isso é complicado, mas eu gostava de ter leitão. Olha, era leitão para todos, e uma Cerelac para o Rui que está em fase de crescimento. Nós temos esperança que ele ainda chegue à altura do contrabaixo. (risos)

Esta pergunta pode parecer dramática, para quem acaba de lançar o primeiro álbum, mas imaginem que se separavam. Como seria o álbum a solo de cada um de vocês?

T: Eu acho que o Mário...

M: Tem cuidado com o que dizes! Pensa duas vezes.

T: Eu acho que o álbum dele seria de tango. "O Acordeão na Cidade", o que achas? Gostas?

M: Sim, adoro. (risos)

T: Se fosse o Ricardo seria "A Vida é que me Escolheu a Mim" (risos). Se fosse o João chamava-se "Clássico para Sempre". O Pedro seria "Batuques e Cangalhos". Como se chamaria o meu? Ajuda-me.

M: "Simplesmente Tiago".

T: Isso era o meu? Está bem. E o Rui? Olha, "Toca Baixinho". Esta pergunta é muito elaborada, eu nunca tinha pensado nisto! Olha, gostei, estás a fazer-nos pensar. (risos)

Vocês são tão diferentes, que se tivessem de trocar de personalidade com algum dos outros, quem escolheriam?

M: Eu trocava com o Ricardo, porque assim podia chegar atrasado quando quisesse.

T: Ih... que facada! (risos) Eu acho que trocava com o João, só para perceber o que é estar em silêncio (risos).

O vosso álbum chama-se "Pontos nos I's". Tendo isso em mente, digam-me qual seria o tema que gostariam de encerrar, de colocar o último ponto a nível global.

T: Isso é muito sensível para esta hora. Tanta coisa que precisava de ser clarificada, mas eu acho que há algo que precisava de ser mesmo entendido. O nosso Presidente da República chega mesmo a dormir? Ele não dorme, pois não? Ele chega mesmo a deitar-se? Gostava de saber.

M: Agora eu, boa pergunta...

T: Tenho outra! Queria saber se o Fernando Mendes era mais alto do que o Rui. Eu não consigo ser sério, desculpem.

M: Eu acho que eles iam ser amigos.

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