"Eu esperava que as acusações fossem retiradas", afirmou aos jornalistas Tsitsi Dangarembga, de 63 anos, após ter recebido a notícia de que o pedido de absolvição foi negado.

"Os zimbabuanos têm o direito de protestar e se surgir um novo caso e for preciso protestar, é claro que o farei novamente", sublinhou.

A escritora, reconhecida internacionalmente, foi presa em julho de 2020 por se manifestar com familiares no seu bairro nobre de Borrowdale, Harare, com uma faixa que dizia "Queremos melhor - Reformem as nossas instituições", mas foi libertada sob fiança no dia seguinte.

Ao indeferir o seu pedido de absolvição, a juíza Barbra Mateko considerou que a escritora teria que se defender em Tribunal, considerando o Ministério Público que a sua mensagem implicava "uma possível quebra da paz pública". A audiência foi marcada para 10 de agosto.

Aclamada como uma voz feminista, Tsitsi Dangarembga alcançou sucesso internacional em 1988 com "Nervous Conditions" ("A fleur de peau" na versão francesa, à Flor da Pele em português), o primeiro livro publicado em inglês por uma mulher negra do Zimbábue.

Sucessor de Robert Mugabe, de quem era um defensor de longa data antes de se voltar contra ele, o atual presidente do Zimbábue, Emmerson Mnangagwa, é frequentemente acusado de querer calar qualquer voz dissidente.