Estreada no início de fevereiro de 2017 naquele teatro, a peça é uma “efabulação com base documental” sobre a atriz Sarah Bernhardt, que se desenvolve como se, numa noite, a atriz francesa voltasse ao teatro, disse à agência Lusa Miguel Loureiro quando da estreia da peça, em fevereiro de 2017.

Com texto, encenação e espaço cénico de Miguel Loureiro, a peça centra-se na atriz que também dirigiu o Théâtre de La Ville, em Paris – onde o espetáculo teve uma pré-apresentação em maio de 2016 com interpretação de Astrid Bas –, e tem por objetivo ser um itinerário sobre a figura que muitos consideraram “a atriz mais importante da história”, disse na altura Miguel Loureiro à agência Lusa.

Reposta no S. Luiz no âmbito das comemorações do 125.º aniversário da instituição, a peça é também uma invocação da atriz francesa que, em 1899, subiu ao palco do então Theatro D. Amelia - o primeiro nome dado ao edifício -, onde interpretou as peças “A Tosca”, de Victorien Sardou, “Hamlet”, de William Shakespeare, “A Dama das Camélias”, de Alexandre Dumas Filho, e “Adriana Lecouvreur”, de sua autoria.

A atuação de Sarah Bernhardt naquele teatro na rua António Maria Cardoso ficou assinalada com o descerramento de uma placa no ´foyer` do teatro - a segunda a ser descerrada neste local -, onde antes da última récita da atriz que ficou conhecida como “a divina Sarah” se reuniram artistas, críticos, pintores e jornalistas da época para a homenagear.

“Sobre um emblemático corpo atravessado por dezenas de biografias e estudos, o que pode ainda ressoar?”, questiona-se Miguel Loureiro.

“Paris – Sarah - Lisboa” resulta de um desafio que o Teatro S. Luiz e Tiago Bartolomeu Costa fizeram ao autor e encenador, que acabou por criar um espetáculo para o teatro onde a atriz representou pela primeira vez em Lisboa das cinco vezes que atuou em Portugal, referiu Miguel Loureiro.

No Théâtre de la Ville, que chegou a ter o nome de Sarah Bernhardt antes da invasão de Paris pelas forças nazis, na II Guerra Mundial, a peça começou num espaço que terá sido o camarim da atriz e desenrolou-se por vários locais do teatro.

No S. Luiz, o espetáculo desenvolve-se a partir do 'foyer', passando depois para o janelão junto ao jardim de inverno, seguindo para junto de um biombo próximo do primeiro balcão e terminando também no jardim de inverno.

“Mais do que uma peça, é como se aquela mulher fantástica, que rompia convenções sem nunca se ter intitulado feminista, fosse um fantasma e voltasse a habitar o teatro”, frisou.

“Porque Sarah não se limitava a interpretar. Para ela, o teatro era a vida e ela levava-o para vida”, observou Miguel Loureiro na mesma altura.

Com texto e espaço cénico também de Miguel Loureiro, a peça está em cartaz até 14 de abril, com espetáculos de quarta-feira a domingo, às 19:00. Tem participação especial, coordenação de figurinos e desenho de luz de Daniel Worm d´Assunção e Rafael Rodrigues na assistência de encenação.

A produção executiva é de Nuno Pratas/Culturproject por encomenda do São Luiz Teatro Municipal em coprodução com o Théâtre de La Ville “Chantiers D’Europe”.

O 125.º aniversário do S. Luiz assinala-se a 22 de maio.

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