“A ideia do concerto é ser uma espécie de antecipação ao disco que conto editar no outono e que se vai chamar ‘Tempo’, que é o tempo que eu esperei, o tempo que eu aprendi, o tempo que demoro a processar as coisas, a chegar a determinadas conclusões, a escrever aquilo que quero, a chegar onde quero em termos artísticos, e o tempo que vai passando”, disse à agência Lusa Rodrigo Costa Félix, que conta mais de 25 anos de carreira, e cujo álbum “Fados de Amor” (2013) foi distinguido com um Prémio Amália Rodrigues.

Em Sintra, “vou escolher quatro temas de cada um dos meus dois álbuns, os que eu gosto mais, e vou estrear seis ou sete inéditos do próximo disco”, acrescentou o fadista.

Rodrigo Costa Félix revelou que é o autor de “quase todas as letras” que vai gravar no próximo disco, que interpreta em melodias de fados tradicionais, que nunca cantou, ou inéditas, entre as quais uma de autoria de Rogério Charraz, intitulada “Sem Fim”.

Além das letras de sua autoria, Rodrigo Costa Félix convidou para participarem poetas contemporâneos, nomeadamente Tiago Torres da Silva, autor que tem escrito regularmente para fado, José Fialho, que colaborou, entre outros, com o fadista Helder Moutinho, e outros autores, como Filipa Martins, assim como alguns que nunca escreveram para o género, como Vasco Gato, mas que “há muito tempo queria escrever para fado”.

“Dei-lhe essa abertura" o que permitiu criar um entendimento profundo "entre fadista e poeta”, disse Costa Félix à Lusa.

“Penso que o fado deve recuperar essa tradição de trabalhar de perto com os poetas, até porque acho que se anda a banalizar um pouco aquilo que é a literatura fadista. Andamos a criar tanta música 'pop' associada ao fado, que as próprias letras estão a perder qualidade e nós não podemos deixar que isso aconteça; quero puxar novas pessoas que escrevem bem, que escrevem coisas bonitas, que criam imagens bonitas, que fazem as pessoas sonhar, para o fado”, afirmou.

O fadista reconheceu que há outros nomes de referência, na atualidade, e citou Maria do Rosário Pedreira e João Monge, mas insistiu: “É preciso mais”.

A acompanhar Costa Félix, no palco do Centro Olga Cadaval, vão estar os músicos Henrique Leitão, na guitarra portuguesa, Miguel Ramos, na viola, e Paulo Paz, no contrabaixo. Os mesmo que irão estar com o fadista na gravação do disco, porque Costa Félix acredita “no conjunto, na cumplicidade que se cria entre cantores e músicos”.

Reconhecendo “a necessidade de gravar discos”, o fadista considera que estes “podem parecer um pouco artificial”, pois “o fado acontece no momento”.

“O fado só existe e só acontece com intimidade, quando se tira a intimidade ao fado, a proximidade, a partilha de energia entre cantor, músicos e público, estamos a matar a essência do fado”, argumentou, apontando as casas de fados como “sítio ideal para o fado acontecer”.

“Esta característica não é apenas do fado, mas sim de qualquer música que seja visceral”, acrescentou

Dos temas dos álbuns já editados vai incluir, no alinhamento a apresentar no Olga Cadaval, “Amigo Aprendiz”, do disco de 2013, e que a revista The Atlantic qualificou como uma das melhores baladas desse ano, também o “Soneto da Fidelidade” (Vinicius de Moraes/Mário Pacheco), e “A Minha Rua” (Frederico de Brito), uma criação de Hermínia Silva, que o fadista gravou no álbum “Fados d’Alma”, entre outros.

Sobre o espetáculo, Rodrigo Costa Félix sentenciou: “Vai ser, talvez, o espetáculo mais despido e mais simples, e 'mais eu’, que alguma vez fiz, o mais intimista”.

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