Numa noite que se avizinhava chuvosa, a antiga discoteca Paradise Garage acolheu calorosamente os fãs do puro trash metal que esperavam não só pelos grandiosos Sepultura, como também pelas bandas que os acompanharam: Mortillery, Flotsam & Jetsam e os Legion Of The Damned.

Com as portas do recinto a abrir mesmo em cima da hora do primeiro concerto da noite, os Mortillery viram a sua plateia com grandes espaços em branco.

A banda canadiana, formada em 2008, mostrou-se bastante compenetrada na sua própria música, não despendendo um segundo que fosse para saudar o seu público. Meia hora bastou para que Cara McCutchen pudesse mostrar toda a sua extensão vocal nos longos gritos que faziam delirar toda a plateia. Músicas de tirar o fôlego a qualquer um como: ”F.O.A.D”, “I Am Destruction” ou mesmo a “No Way Out” colocaram toda a plateia em êxtase. Apenas um curto aquecimento para aquilo que viria a seguir.

Vinte minutos depois entravam em palco a velha guarda do trash metal, os Flotsam & Jetsam, que provaram que a idade não é nenhum impedimento pois, na nossa opinião, foram eles os grandes senhores da noite. Com quase 40 anos de carreira, tal como os carismáticos Sepultura, Eric A.K mostrou a sua voz poderosa, tanto nos pequenos gritos afinados e agudos como também nas partes cantadas.

Ao contrário dos Mortillery, estes mostraram boa disposição entre equipa e rapidamente a passavam para o público que vibrava ao som intenso da bateria. Para além de apresentarem as suas músicas mais recentes, o vocalista ainda teve tempo de descer do pequeno palco para tocar na mão de cada uma das pessoas presentes na primeira fila e despedir-se carinhosamente do público português.

Os terceiros a atuar, foram os Legion Of The Damned, que, com um arranque um pouco atribulado devido a problemas de som, a voz do vocalista não se fez ouvir nos primeiros segundos. O ambiente da sala, que outrora terá sido um pouco mais calmo, voltara a ficar agitado, principalmente no centro desta, onde se podia ver a improvisação de uma autêntica batalha campal.

Apesar do mau começo, a banda conseguiu divulgar o seu novo álbum, “Ravenous Plague”, bem como mostrar aquilo que pode ser considerado o melhor ou o pior do trash metal, onde as vozes são confundidas com os riffs das guitarras e pela bateria tocada freneticamente - batidas essas que fizereram girar o grande círculo no centro da plateia.

Mas a grande batalha surgiu quando os mais aguardados da noite subiram ao palco, os Sepultura. Foi então que a grande tempestade começou, já que a qualidade do som revelou-se bastante pior do que o das bandas de primeira parte, fazendo com que dificultasse ainda mais a perceção da voz que era naturalmente abafada pelo som alto dos instrumentos.

Todavia, a batalha não era apenas feita acima do palco, já que também os seguranças debateram-se contra os fãs do tão característico mosh que, por variadíssimas vezes, eram levados numa onda até às mãos dos seguranças que os encaminhavam de volta à diversão.

Músicas poderosas como “Kairos”, “Propaganda”, “Dusted” ou “Arise” não faltaram neste concerto recheado de power. A banda mostrou-se bastante comunicativa, principalmente o guitarrista e líder, Andreas Kisser, e o vocalista, Derrick Green, que em determinados momentos esforçava-se para falar em português.

Porém, um dos momentos mais altos do concerto, pelo menos para os amantes da banda, revelou-se quando Andreas decidiu dedicar a música cantada em português, “Da Lama Ao Caos”, a todos os portugueses de Portugal e do Brasil. Tema cantado apenas pelo guitarrista, sendo acompanhado ao som do tambor.

A primeira parte do concerto estava terminada, mas como era de esperar ainda houve tempo para o encore. Nele tocaram as músicas “Ratamahata”, com os seus ritmos tipicamente brasileiros que contrastavam drasticamente com as fortes batidas da bateria. Contudo, juntos formaram o melhor momento musical dos sepultura da noite, terminando definitivamente com “Roots”.

Uma noite cheia de trash metal, num local com bastantes fragilidades na sua acústica, o que poderá ter sido prejudicial tanto para as bandas que nele atuaram, como para quem assistiu a concertos onde o seu barulho ensurdecedor continua a fazer-se ouvir nos seus ouvidos.

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Texto: Ana Castro

Fotografias: Carina Sousa

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