Atoui trabalhou com sons “gravados abaixo da superfície, no mar, no rio, no mundo subterrâneo, movidos para a luz numa tentativa de localizar, decifrar e entender a identidade do lugar”, apontou Serralves em comunicado, à procura de “alcançar estruturas ocultas na cidade”.

O exercício é uma “pesquisa em estomatografia sónica”, uma área da arqueologia que concerne o processo de “revelação das diferentes camadas históricas de um lugar”, e será apresentado pelas 18:00 de hoje.

O artista libanês, instalado em França, concebeu “I/E” “como um estúdio de som, um espaço de escuta e uma plataforma de performance alojada dentro de um contentor à prova de som”, criando uma “ferramenta polivalente que lhe permitira gravar, tocar e colaborar com uma variedade de músicos em contextos exteriores incomuns”.

No Porto, o lado de estúdio ficou instalado na Sonoscopia, com a performance marcada para o Parque de Serralves, colocando Atoui ao lado do francês Eric La Casa e os músicos associados da Sonoscopia Alberto Lopes, Gustavo Costa e Henrique Fernandes.

Estreado em 2013 no Carrousel du Louvre, em Paris, “I/E” já passou por Atenas, Abu Dhabi e Singapura, antes de chegar ao Porto, e assenta numa “interpretação do lugar” a partir de composição, seguida de performance, que “extrapolam para o espaço, reintroduzindo no lugar os sons das suas próprias histórias ocultas”, num trabalho em várias camadas que mostram, sobrepostos, a cidade contemporânea e sons reminiscentes de milhares de anos.

“A partir da escuta das atividades humanas e naturais nos portos e cais, exploram a forma como o som reflete as realidades culturais, sociais e económicas”, pode ler-se na apresentação do espetáculo do libanês, nascido em 1980 e residente em França desde 1998.

Atoui tem trabalhado em várias áreas da música e da engenharia sonora, de novos instrumentos a oficinas sobre história da música e instrumentação, trabalhando de forma recorrente com instrumentos eletrónicos ‘artesanais’, criados para o efeito, e computação.

Tem apresentado os trabalhos em vários museus e bienais de arte, como a Bienal de Berlim, Sharjah ou Marraquexe, passando ainda pelo londrino Tate Modern, a Fondation Louis Vitton (França), o nova-iorquino New Museum ou o Bonniers Konsthall (Suécia).

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