Durante os próximos dois meses, a programação do TBA fixar-se-á na discoteca do Cais da Pedra, em Santa Apolónia, na sequência de uma parceria “excelente” que dá continuidade à programação 'fora de portas', do teatro que tem a sua 'casa', perto do largo do Rato e da Escola Politécnica, em obras, e que assim garante "outras condições técnicas e sanitárias”, precisou o diretor artístico do TBA, Francisco Frazão, em entrevista à agência Lusa.

As obras em curso nos bastidores, deviam terminar este mês, mas levam um atraso de dois meses e deverão prolongar-se até final de dezembro. Para o programador, depois da programação online, a que se vira obrigado face ao confinamento provocado pela pandemia, a “maior preocupação” era assegurar as parcerias existentes, com os festivais Alkantara e Temps d'Images, nas edições deste ano, que contam com espetáculos como “Cutlass spring” e “EmpowerBank”.

Foram estas as razões que estiveram na origem da mudança temporária para o Lux Frágil, uma solução encontrada pela entidade gestora, a empresa municipal de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), deste novo teatro municipal, disse.

“Espetáculos de duas proveniências [Alkantara e Temps d'Images] e com misturas heterogéneas” pautam assim, segundo Francisco Frazão, a programação do TBA nos próximos dois meses, sem “divergências” dos temas e géneros privilegiados por toda a equipa, desde a abertura da sala de espetáculos, ao Rato, onde funcionara o Teatro da Cornucópia.

No caso da parceria com o Alkantara, Francisco Frazão destaca a estreia de “Heading against the Wall”, da Cão Solteiro & André Godinho (de 13 a 15 de novembro), que deverá “abordar questões relacionados” com a pandemia que assola o mundo.

Sublinhou ainda a presença, pela primeira vez em Portugal, do bailarino e coreógrafo iraniano Sorour Darabi, que se mudou para França para estudar dança e que (de 19 a 21 de novembro) se apresentará a solo numa 'performance' em que questionará questões de género.

“Cutlass spring”, um espetáculo da coreógrafa canadiana Dana Michel, também pela primeira vez em Portugal e em parceria com o Alkantara, ou o espetáculo de teatro “EmpowerBank”, da Plataforma 285, em parceria com o Temps d'Images, em cena de 27 a 29 de novembro, foram outros dos exemplos destacados por Francisco Frazão.

Quanto às propostas para dezembro, resultam de "reagendamentos anulados nesta primavera” e de “outros previstos para 2021”, que foi possível antecipar, frisou.

Entre as antecipações citou “Ma vie va changer” ("A minha vida vai mudar", numa tradução livre), um espetáculo de teatro, com direção artística de Nuno Luca criado em conjunto com os atores norte-americano e francês, Geoffrey Carey e Frédéric Danos, respetivamente. O espetáculo estará em cena de 17 a 20 de dezembro.

Nas antecipações, encontra-se igualmente a apresentação do álbum de Tiago Sousa, “Oh Sweet Solitude", a 1 de dezembro.

“Cumprir os compromissos com os artistas e parceiros”, incluindo os “financeiros, na medida do que foi possível, mais do que cumprir a coerência dos espetáculos” foi, segundo Francisco Frazão, a prioridade da programação nestes tempos de pandemia.

Para 2021, a direção artística do TBA conta apresentar “muitos dos espetáculos que estavam previstos entre março e junho deste ano", continuando a garantir "que os artistas sejam remunerados pelos espetáculos perdidos e pelas novas datas”.

Uma 'performance' documental de Samira Elagoz, sobre a recuperação do 'eu', após uma experiência traumática de agressão sexual, os encontros presenciais das Práticas de Leitura, com as Edições do Saguão, e Catarina Botelho e David Guéniot a avançarem para a segunda conversa sobre Lisboa, partindo de trabalhos fotográficos realizados no período da crise de 2020, são outras das propostas do TBA para os próximos dois meses.

Entre os espetáculos que farão parte da programação do primeiro semestre de 2021, Francisco Frazão destacou o que chegou a estar previsto para este ano e que consiste numa encenação portuguesa de um texto clássico norte-americano.

Trata-se de “Our town”, do escritor norte-americano Thornton Wilder (1897-1975), Prémio Pulitzer de Teatro, em 1938, texto por várias vezes retomado em palco, na Broadway, onde também foi distinguido com os prémios Tony.

“Our town”, em Lisboa, será levada à cena por três jovens companhias: Os Possessos, Auéééu e Teatro da Cidade.

Continuar a trabalhar, resistindo às dificuldades e limitações que a atualidade impõe e, ao mesmo tempo, conseguir reunir espetáculos que reflitam também sobre estas questões – como é o caso das propostas da Cão Solteiro e da Plataforma 285 – são apostas nestes tempos de “incerteza”, disse à Lusa o diretor do TBA.

Tempos, porém, em que “não se pode cometer o erro de remeter as artes para o mero campo do lazer e do imprescindível”, sob o risco de provocar grandes “prejuízos a nível democrático e mesmo civilizacional”, concluiu Francisco Frazão.

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