A peça, que vai estar em cena de 2 a 8 de outubro, era para não ser sobre a pandemia e era para estrear em 27 de março, como exercício final da formação ministrada pelo TEUC desde outubro de 2019, mas a pandemia trocou as voltas à companhia de teatro universitário, contou à agência Lusa a encenadora, Liliana Caetano.

"Estive o último mês e meio com eles e fomos todos desolados para casa, porque faltavam apenas duas semanas para a estreia da peça", referiu.

Com o confinamento, do grupo de 11 atores que estavam na formação, alguns, que eram do Brasil, voltaram ao seu país e outros estudantes regressaram às suas terras, sem possibilidade de retornarem a Coimbra.

Apesar desse contexto, o grupo voltou a reunir-se à distância a partir de julho e decidiu avançar para uma nova criação, que refletisse sobre o tempo que viviam, explicou.

"Na plataforma Zoom, falámos do que era estar em confinamento, do que nos estava a acontecer, fizemos vários vídeos e acabámos por criar um trabalho, uma peça com quatro atores, os únicos disponíveis para continuar fisicamente em Coimbra e com o resto das pessoas em vídeo", disse Liliana Caetano.

A peça, para além de ser uma reflexão sobre o tempo que se vive, é também um reflexo desse mesmo contexto, entrando em diálogo, no Teatro de Bolso do TEUC, os vídeos dos alunos que estão fora com os atores em palco.

"Há momentos só em vídeo, há momentos de vídeo com atores em palco e momentos só de atores em palco", contou.

Segundo Liliana Caetano, esta é uma peça que procura representar "a desconstrução" de formalidades quotidianas forçada pela pandemia.

"Alguns momentos como um simples café, um aniversário ou um casamento foram desconstruídos durante a pandemia", notou, referindo que pediu aos membros que estão à distância para criarem vídeos que falassem do sítio onde estavam e de momentos específicos que retratassem o seu confinamento.

"Os vídeos retratam o que viram e o que viveram", notou, aclarando que a peça "é quase um exercício documental, mas com a beleza do teatro".

"Das telas-janelas, palavras e gestos confinados de um futuro adiado. Em palco, estamos todos, mas entre lá e cá não nos podemos tocar. Com matéria humana exercitámos absurdamente a desconstrução de formalidades quotidianas. Não sabemos como será amanhã, mas pelo menos hoje estamos aqui", lê-se na sinopse da peça.

Na peça, participam os atores Ane Gabilondo, Anna Roha, Carolina Quaresma, Fernanda Andrade, Gabriela Guedes, Inês Bertelo, Larissa Alves, Lia Vieira, Lucas Brito, Mailson Santana, Maria João Ribeiro, Naomi Machado, Susana Nóbrega, Vero Chiriboga, Wilson Domingues.

A peça vai estar em exibição de 2 a 8 de outubro, não havendo sessão nos dias 4 e 5.

As reservas para o espetáculo poderão ser feitas em teuc.teatro@gmail.com.

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